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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Jack White fala de seu primeiro disco solo ‘Blunderbuss’ e avisa: quer vir ao Brasil














“Blunderbuss", a melódica faixa que batiza o recém-lançado primeiro disco solo de Jack White, é o equivalente em inglês ao velho bacamarte, arma de fogo de grande calibre de uso comum no século XVI. Também é um termo coloquial para alguém desajeitado, tolo, em quem é fácil passar a perna. Na sala da suíte lúgubre do hotel New Yorker, localizado ao lado de um dos terminais ferroviários mais movimentados da cidade, a metade masculina dos White Stripes ri ao pensar nas muitas possibilidades de tradução da palavra de origem holandesa que desenterrou.
— No início, ela me veio como uma solução para representar a relação amorosa retratada especificamente naquela música — conta. — Depois vi que ela refletia a coleção de músicas novas que estava compondo. Mas ela também é uma metáfora para minha guitarra. Há tantos solos neste disco! E ela tem, aqui, esse som de britadeira quebrando muros, um tchaq-tchaq-tchaq constante que já faço há algum tempo, mas agora ainda mais intensificado, com duas guitarras, uma sobre a outra, quebrando tudo.
Quebradeira que também é resultado de sua separação da modelo e cantora Karen Elson, com quem tem dois filhos, e da decretação do fim da banda que o projetou internacionalmente, formada há 15 anos com outra ex-mulher, Meg White. Cabelos negros jogados para os lados, os olhos, igualmente negros, bem abertos, White olha para crias novas como "Missing pieces" (dos versos "Eu pensei que você havia deixado um recado para mim/ Mas era apenas a etiqueta do travesseiro") e as considera as músicas mais pungentes de sua carreira:
— Este é um disco de canções românticas, algumas mais contemplativas, outras com um som mais áspero, mas todas inevitavelmente românticas.
Ainda assim há espaço para o comentário social, presente desde o primeiro disco dos White Stripes ("The big three killed my baby"). O vídeo de "Sixteen saltines", a segunda faixa de "Blunderbuss", apresenta imagens de uma América decadente e, com a exceção do próprio White, perseguido com requintes de crueldade, povoada exclusivamente por crianças. A infantilização erótica e imbecilizante da nação é escancarada em cenas inspiradas no trabalho de Larry Clark e Harmony Korine, responsáveis pelo niilismo adolescente do filme "Kids".
— Minha vontade era falar do que acontece nas esquinas da América. Na cabeça dos americanos, especialmente antes do 11 de Setembro, éramos intocáveis, o sonho não viraria pesadelo jamais. Tolice. É tempo de relembrá-los de que a qualquer momento tudo pode ruir. Tudo aqui é muito frágil — diz. 
‘Semente’ veio com Wanda Jackson
O vídeo foi filmado em Nashville, a Meca do country e endereço de Jack White há seis anos. Lá ele criou a Third Man Records, quartel-general de suas experiências musicais, já comparada a um mix da Factory de Andy Warhol com a batcaverna. Localizada em uma porção industrial da cidade do Tennesse, de seu forno já saíram 45 discos, entre LPs e singles, todos prensados em vinil. Enquanto White conversava com O GLOBO, seus assistentes dirigiam o caminhão-loja da gravadora pelas ruas do East Village, facilmente localizável pela cor amarelo-cheguei e o mote "sua vitrola não morreu".
— Ouvir um disco em vinil é como ir ao cinema. É ver movimento. É a fogueira da música. Para se ter romance, você precisa de mecânica, de movimento. Eu posso compor agora sobre uma velha colheitadeira, mas jamais conseguiria fazer uma música sobre um iPod ou um Xbox — filosofa.
"Blunderbuss" nasceu da produção de "The party ain’t over", o retorno da rainha do rock americano, Wanda Jackson, às suas raízes depois de décadas dedicadas ao gospel. A última vez em que Jack White se apresentou em Nova York, foi ao lado de uma banda de dez músicos, como produtor e guitarrista da diva de 74 anos.
— Foi a primeira vez que comandei uma banda daquele tamanho. Não eram quatro caras como no Raconteurs. Não éramos eu e a Meg. Foi algo completamente diferente. Foi dali que surgiu a semente de "Blunderbuss" e veja o que aconteceu: virei um band leader de duas bandas diferentes, fiquei caro pra dedéu!" — lembra, antes de soltar uma quase gargalhada.
As duas bandas a que White se refere são as formações exclusivamente masculina e feminina com que vem se apresentando na pré-turnê de "Blunderbuss", uma reunião de cobras de ambos os gêneros da rica cena de Nashville.
— Um palco só de marmanjos e outro quase que exclusivo de mulheres mexe com a cabeça de quem vê o show. É uma pegadinha? É uma brincadeira? Ou é uma maneira profunda de se tratar dos dois lados da Humanidade de forma igualitária? Queria ao mesmo tempo provocar o público e criar um novo arcabouço de possibilidades. Não queria estagnação na turnê. Cara, a coisa mais fácil do mundo pra mim hoje é tocar toda noite com músicos as mesmas faixas do mesmo jeito. Mas isso é muito fácil e me assusta pacas. Preciso do desconhecido, sempre", diz.
Velhos favoritos, como "Seven Nation Armies" e "Ball and biscuit" entram no setlist , e os fãs brasileiros, diz White, estão na mira de uma turnê internacional.
— Conto os dias para voltar ao Brasil. O show em Manaus foi sensacional. Eu me casei de manhã e toquei de noite, em plena Amazônia. Isso não acontece sempre na vida de uma pessoa, né? O problema é que, com duas bandas, fica caro pra burro. Será que o governo não daria um desconto pra gente já que são duas bandas? Sei lá, um abatimento fiscal qualquer... Será que O GLOBO não poderia começar esta campanha para a gente poder tocar no Rio? — pergunta, a cara mais séria do lado de lá do Mississippi.
Sem chance de ‘revival’
White, que negou rumores de ter fechado com a Disney o comando da trilha sonora do filme "O Cavaleiro Solitário" ("eles se precipitaram, ainda não há nada certo", diz), também jogou uma pá de cal na possibilidade de retorno dos White Stripes, por mais romântica que a ideia pareça aos fãs da banda-símbolo do revival do garage rock dos anos 1990.
— Não vai acontecer. Aquele foi um tempo maravilhoso, foi o projeto mais intenso do qual já fiz parte. Era tão difícil, e ao mesmo tempo, um desafio delicioso, fazer com que o público prestasse atenção naquelas duas pessoas sozinhas no palco. Mas aquilo eu já fiz. Não há a menor chance de os White Stripes voltarem. Mas vou dizer a você que é extremamente romântico pensar que tivemos nosso tempo e que ele foi bom pacas.


O Globo
 http://www.paraiba.com.br/2012/04/30/83834-jack-white-fala-de-seu-primeiro-disco-solo-blunderbuss--e-avisa-quer-vir-ao-brasil

Jack White - Blunderbuss (full album) pt 1

video

 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Tarso Genro: Investigar a simbiose entre sistema político, Estado e crime

A instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira abre uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar interessses econômicos e políticos. O artigo é de Tarso Genro.
por Tarso Genro, em Carta Maior
Ao contrário do que torcem — e em parte patrocinam significativos setores da mídia — não está se abrindo uma crise com a instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira. Abre-se, sim, uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose (às vezes espontânea e no mais das vezes deliberada), entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas, como já está provado, não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar, ou interesses de grupos econômicos -criminosos ou não- ou interesses dos diferentes partidos aos quais estes órgão são simpáticos.
Para que esta oportunidade seja aproveitada é necessário, porém, que a CPI tenha a predominância de parlamentares que não tenham medo. Não tenham medo de que o seu passado seja revelado – um passado complicado fragilizaria o resultado da CPI -, não tenham medo de ser achincalhados pela imprensa, pois à medida que contrariarem os interesses que ela defende serão ridicularizados por algum motivo ou atacados na sua honradez. Não tenham medo, sobretudo, de encontrar algum resíduo de envolvimento seu, na teia de interesses, manipulada pelo grupo ora apontado como criminoso.
Uma parte da esquerda, na defensiva em função do cerco a que foi submetida principalmente no primeiro governo do Presidente Lula, convenceu-se que as denúncias feitas pela imprensa não passavam de montagens para nos desgastar. Ora, é razoável supor que muitas denúncias são forjadas (em função de brigas entre empreiteiras, por exemplo, ou para desmoralizar lideranças que são importantes para os governos), mas tomar as denúncias como produto de uma conspiração é errado. É deixar de lado que o estado brasileiro, historicamente cartorial, bacharelesco, barroco nos seus procedimentos e forjado sob o patrocínio do nosso liberalismo pouco republicano, tem um sistema político-eleitoral e partidário, totalmente estimulante aos desvios de conduta e às condutas que propiciam a corrupção.
O uso que a mídia faz dos eventos de corrupção, para tentar destruir o PT e a esquerda é, na verdade, um elemento da luta política por projetos diferentes de estado e de democracia. São diferentes concepções de republicanismo que estão em jogo, entre um republicanismo elitista e “globalizado” pelo capital financeiro e um republicanismo plebeu, participativo e aberto aos movimentos dos “de baixo”. Este, considera urgente a redução das desigualdades sociais e regionais, mesmo que isso se choque contra as receitas dos FMI e do Banco Central Europeu: um republicanismo do Consenso de Washington e um republicanismo do anti-Consenso de Washington, é o que está em jogo.
O fato, porém, da corrupção ser “usada” pela mídia, nas suas campanhas anti-esquerda, não quer dizer que ela não exista, inclusive no nosso meio. Então, o que se trata, não é de “amaciar” os fatos, mas de disputar o seu “uso” – o tratamento político dos fatos – para fortalecer uma das duas principais concepções de República que caracterizam o grande embate político nacional na atualidade. O “aceite” deste embate político tem um terreno fértil na CPI, em instalação, e a esquerda brasileira poderá agora, se tiver uma estratégia unitária adequada, amalgamar um conjunto de forças em torno dos seus propósitos republicanos e democráticos.
A atual CPI, ao que tudo indica, vai se debruçar sobre um sofisticado sistema duplamente criminoso: ele promove diretamente, de um lado, a apropriação de recursos públicos para fruição de grupos privados criminosos (através da corrupção) e, de outra parte, promove a deformação ainda maior do sistema político (através de criação de agendas políticas), para cooptar pessoas, vincular mandatos ao crime e, também, certamente, financiar campanhas eleitorais. Se de tudo que está sendo publicado 50% for verdadeiro trata-se de um patamar de organização superior da corrupção, que já adquire um estatuto diferenciado. Nele, o crime e a política não apenas interferem-se, reciprocamente, mas já compõem um todo único, com alto grau de organicidade e sofisticação.
O pior que pode acontecer é que a condução da CPI não permita investigações profundas e que seus membros, eventualmente, cortejem mais os holofotes do que a busca da verdade, ou que ocorram acordos para “flexibilizar” resultados, por realismo eleitoral. Nesta hipótese, ficarão fortalecidos aqueles que hoje estão empenhados em desgastar a esfera da política, que significa relativizar, cada vez mais, a força das instituições do estado e o sentido republicano da nossa democracia.
Este serviço, aliás, já está sendo feito pela oposição de direita ao governo Dilma, pois já conseguiram semear a informação que o governo “está preocupado” com os resultados da CPI. A oposição demotucana faz isso com objetivos muitos claros: para que todos esqueçam as raízes partidárias profundas, já visíveis, neste escândalo de repercussão mundial, mas que também é uma boa oportunidade de virada republicana na democracia brasileira.
(*) Tarso Genro é governador do Estado do Rio Grande do Sul.http://www.viomundo.com.br/politica/tarso-genro-investigar-a-fundo-a-simbiose-entre-o-sistema-politico-o-estado-e-o-crime.html

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pessoas, pessoas, pessoas...


O mundo caminha pra uma guerra?
Mas todos já estão se matando
Em nome do seu time de futebol
Em nome de uma falsa ideia
Supremacia racial
Brancos contra negros, judeus, mestiços
Negros contra brancos, mestiços, judeus
Judeus contra Palestinos, Árabes
Palestinos contra Judeus
Guerra urbana
Guerra por religião
Facção criminosa
Guerra nas prisões

Todos estão morrendo
Extermínio sem câmara de gás
Sem deixar vestígios
Onde os culpados estão longe de tudo isto
Não saem as ruas sem proteção
Tomando champanhe pelo mundo
Nem sujam as mãos de sangue
Contam o dinheiro
Rindo de tudo

Vanderlei Prado
 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Power to the animals. E se o macaco, ou o leão, fosse o dono do circo?


Esta na hora de trocar os papéis no circo.
Lugar de bicho é no seu lugar de origem e não preso pra fazer gracinhas, servir de divertimento pras pessoas. A ideia de que o homem é um ser privilegiado no planeta serve para que milhares de animais sejam tirados de seu meio natural, vendidos e com isto muitos acabam morrendo.
Caso você acha engraçado, bonitinho o bicho ficar no centro do circo, fazendo a sua “festa” troque de lugar com o macaco, cachorro, pra ver se é “legal”