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MUSICA / MUSICA INDEPENDENTE

 A musica do Nordeste e o rock
O meu primeiro contato com a musica nordestina foi nos anos 70 atravez de uma novela que passava na globo, "O Bem Amado". Eu como muitas pessoas da minha geração, gostava de Beatles e tudo que lembrava este tipo de som, naturalmente veio as influencias do blues, jazz, Hendricks e Cia, sons mais pesados também e de repente aquele som do nordeste me levava pra algum lugar, sem tempo e espaço, mas parecia que existia, tanto que naturalmente anos mais tarde depois de rodar praticamente toda a América do Sul, por muitos anos, subi finalmente a costa Brasileira, fui acampando pelas praias, ouvindo o som das ruas, das feiras e quando cheguei em Fortaleza, finquei meu território por pelo menos 10 anos. Morando no Nordeste fui perceber que aquele lugar, imaginário  que vinha atravez da musica das violas nordestinas, existia de verdade e o melhor foi que eu pertenci também a este lugar, seja tocando violão na Ponte Metálica ou no Bar Estoril em Fortaleza ou como certa vez voltando de Jericoacora por Camocim. Nesta viagem tive que dormir na rodoviária  e lá pelas 3 horas da manha comecei a perambular pela pequena cidade  vazia que passava uma tranquilidade diferente, muito difícil para tentar descrever, uma "pintura", como um filme que você vê na sua casa no final da noite e você quer estar lá, caminhando por aquelas ruas.  Comecei a ouvir um som e comecei a seguir pra descobrir de onde vinha, não era um som mecânico, nem muito alto, era o som perfeito pra aquela cidade tranquila na madrugada. Fui andando e acabei encontrando o som, que vinha de duas pessoas tocando viola, sem vocal, estavam cuidando das barracas de uma feira que deveria funcionar quando chegasse o dia. Pra mim que tinha ficado "Chapado" muitos anos antes com o o som de Alceu Valença, Quinteto Armorial, Quinteto Violado, Fagner, Belchior, Edenardo, Banda de pifarus de Caruaru, ali eu entendi tudo, sem trocar uma palavra com as duas pessoas que tocavam num quase transe. Eu já tinha percebido a convergencia na musica de varias partes do mundo, os tipos de escalas e aquela musica pra mim tinha algo de musica Árabe, Oriental, lembrava também em algumas passagens o blues de Robert Jonson, simplesmente uma das melhores coisas que tive a sorte de ouvir e ver.
Quem puder viajar e perambular um pouco sem rumo pelo nordeste vai perceber o que estou tentando descrever.


Estação Ferroviária e o Pôrto de Camocim




























Robert Johnson









































Meikiorselfiz ! É, é isto mesmo, não é um debiomental quem esta escrevendo isto, também não é uma palavra em russo, mas a ideia é, quando quiser fazer alguma coisa boa pela arte, pela musica, pelo som ou até pelo ruído, não se preocupe com muitas teorias, simplesmente aplique a velha e boa teoria do Rock and roll, se divirta, faça do seu jeito, mesmo que tenha que começar do nada, jimy Hendricks começou quando criança empunhando uma guitarra de mentira, uma vassoura e deu no que deu.
E o que dizer então sobre o "cara" que simplesmente influenciou Jimy: 
Com sete anos de idade Buddy “fez” a sua primeira “guitarra”, um pedaço de madeira com duas cordas amarradas com os grampos de cabelo de sua mãe. Com ela passava o tempo nas plantações e desenvolvia as suas “técnicas” musicais. Depois ele ganhou a sua primeira guitarra de “verdade”, um violão acústico Harmony que hoje se encontra no Hall da Fama do Rock and Roll, em Cleveland, nos EUA.(http://www.rickyfurlani.com/mostranews_port.php?cat=2&cod=68                                           


































Friday, November 12, 2010


A morte do Hardcore Punk

Estamos no final da primeira década do séc.XXI e mais um óbito de uma cultura é presenciado: A morte do Hardcore. Não? Bem, se você faz parte dos envolvidos neste movimento e estilo cultural, político e musical, que ainda frequenta apresentações (gigs), lê ou publíca zines, tem uma banda ou coisa semelhante, sugiro que faça um panorama reflexivo, sem paixões sobre o Hardcore Punk hoje em dia. Ah, o Do It Yourself Never Dies... Mas isso não é uma invenção do HC e sim de culturas e movimentos que já passaram por este mundo. Mas você tem toda a liberdade de discordar (dischord) e dizer que a chama ainda queima (flame still burns). Então não perca tempo lendo este post. Este não é um blog segmentado.
O Hardcore Punk viveu sua "época de ouro" nos anos 80 e uma parte dos 90 com a proliferação de bandas, zines, programas de rádio, midia em geral através do mundo. Aqui no Brasil, as coisas sempre chegaram com um certo atraso e distorção de valores, que hoje em dia não acontece como antes, devido à era digital e a world wide web, que permite o acesso direto à fonte. Eu posso falar sobre boa parte do que ocorreu aqui em São Paulo, pois participei desta cultura, portanto não sou um pesquisador de laboratório que nunca foi à campo, teórico ou alguém que só leu algo na net ou outro veículo de informação. Mas não estou aqui para fazer uma autobiografia e nem uma biografia sobre o Hardcore Punk paulistano neste reduzído espaço digital.
noturnas que abrigam apresentações de bandas estrangeiras periodicamente, há alguns poucos espaços que são direcionados ao HC, algumas lojas de discos, alguns zines, muitos blogs e sites, alguns festivais, etc. Mas o que era concebido como cenário HC já não existe mais, as coisas mudaram, ou melhor, sofreram uma mutação e não uma evolução, infelizmente. O HC teve o mesmo fim que o movimento Flower Power dos anos 60, que ainda deixa resquícios ou sequelas de seu impacto, mas a sua força e autonomia já se foi, sinto muito.
Os remanescentes praguejam contra produtos como NX Zero, CPM 22, etc, mas isso nunca foi novidade em movimento musical que já existiu. Sempre a indústria, os empresários ou pessoas que são carentes de pertencerem à um grupo e portar algum rótulo se infiltraram em qualquer que seja a denominação coletiva musical e cultural.
E de pensar que o termo emocore (emotional hardcore) veio de grupos de Boston como Rites Of Spring, Embrace, etc, iria desembocar em coisas como Fresno e afins, realmente é trágico (como diria o sr. Omar, do seriado "Todo Mundo Odeia o Chris").
Hoje já vemos jovens na faixa dos 30 anos relembrando das gigs noturnas na metrópole paulistana, das saudosas lojas de discos na Galeria do Rock, que eram o ponto de encontro deste segmento. Alguns se assemelham aos punks quarentões que vivenciaram o início do Punk nos anos 80 e lamentam seu declínio entre goles de cerveja ou outro goró mais forte. Decline of the western civilization... Mas alguém ainda grita: "This is not the end!" (citação de uma música do Agent Orange).
O Hardcore se auto destruiu, deu o famoso tiro no próprio pé, seu radicalismo sufocou a sí mesmo. Nem os diamantes são eternos, tudo passa na história da humanidade. Mas não precisava ser assim, uma morte sem dignidade, uma morte agonizante e desapercebida, como morre um indigente debaixo de um viaduto. As coisas poderiam ter evoluído, se aprimorado e se adaptando aos tempos contemporâneos, assim como ocorre felizmente com o chamado free jazz na Europa e EUA. Nestes continentes o Hardcore Punk ainda encontra um espaço com dignidade, mesmo que bem mais reduzido, por manter o bom senso, sem levar em conta que preservou certas colunas de sustentação básicas para existirem, sem distorcer de forma bizarra sua criação.
Bem, alguns aqui até que estão tentando fazer alguma coisa, outros fazendo documentários (ou seriam obituários?) e não posso dizer com exatidão os seus fins e suas reais intenções.
Aquele côro do Youth Of Today que dizia: Keep it up!, soa tão distante agora...