terça-feira, 27 de novembro de 2012

All Along The Watchtower/ JImi Hendrix

Tudo Ao Longo Da Torre

Deve haver algum jeito de sair daqui,
Disse o coringa ao ladrão
Lá tem muita confusão,
Eu não tenho nenhum alívio

Homens de negócio, eles bebem meu vinho,
Os homens do arado cavam minha terra,
Nenhum com um nível em suas mentes,
Ninguém fora deste mundo.

Nenhuma razão para estar excitado,
O ladrão que falou amavelmente,
Há muitos aqui entre nós,
Que pensam que a vida é mais uma piada,

Mas você e eu, nós passamos por isso,
E este não é nosso destino,
Então vamos parar de falar hipocritamente
A hora está começando tarde.

Tudo ao longo da torre,
Os príncipes mantiveram a vista,
Quando todas as mulheres vieram e foram,
Empregados descalços também.

Lá fora na distância fria,
Um gato selvagem rosnou,
Dois cavaleiros estavam se aproximando
E o vento começou a uivar.

Tudo ao longo da torre,

Composição: Bob Dylan
 http://www.youtube.com/watch?v=KJB8BUjXSl4



















segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Israel e a nova guerra mundial



Mauro Santayana: Israel e a nova guerra mundial

por Mauro Santayana, em seu blog
Ao convocar 75.000 reservistas para as fileiras, o governo de Israel deixou claro que prepara  nova  invasão terrestre da Faixa de Gaza, como passo prévio a uma aventura maior, contra o Irã.
Desta vez, no entanto, há sinais de que a violência encontrará a resistência dos
 países árabes vizinhos. A visita do primeiro ministro do Egito, Hisham Kandil, a Gaza e a clara advertência do novo presidente, Mosri, de que os egípcios não deixarão os palestinos sós,  deveriam conter os alucinados direitistas de Tel-Aviv, mas não parece que isso ocorra. Ao contrário, há todas as indicações de que se encontram dispostos a ir ao tudo, ou nada.
Ocorre que as coisas mudaram nos países árabes. Os aliados de Israel haviam visto, na primavera árabe, uma democratização à americana, que laicizaria as sociedades muçulmanas e as levaria à absorção pela civilização do consumo. Se assim fosse – era a ilusão de Israel – os palestinos seriam compelidos a aceitar, resignados, o fim de sua luta pela sobrevivência como nação. Rapidamente as coisas se mostraram como são.
Os árabes não saíram às ruas para contestar o Islã, mas com o propósito de recuperar os princípios de solidariedade do Corão e contestar o alinhamento de seus governos aos interesses de Washington. Não é por outra razão que os radicais de Al Qaeda contribuíram para o levante contra Kadafi.
O Egito, sob Murbarak, sempre foi fiel aos Estados Unidos em sua política regional, e aliado confesso de Israel. Com Mosri, a situação mudou. O novo presidente egípcio tem mantido consultas sucessivas com outros chefes de Estado e de governo árabes e reuniu, no Cairo, o presidente da Turquia, Recep Erdogan,  o emir de Catar, Hamad bin Khalifa Al Thani, e outros dirigentes políticos da região, para discutir o problema da Palestina. O emir de Catar visitou recentemente a Faixa de Gaza e doou 254 milhões de dólares para a reconstrução de seus hospitais.
A atitude mais clara do Cairo foi a de enviar a Gaza seu primeiro ministro Hisham Kandil, sexta-feira passada. Israel prometeu que suspenderia seus ataques aéreos contra a área durante as três horas da visita do dirigente egípcio – mas antes que Kandil deixasse a cidade pelo passo de Rafa, reiniciaram-se os bombardeios. Os judeus usam mísseis ar – terra, como o que matou o primeiro ministro do Hamas. E também aviões não tripulados, os criminosos drones. Dezenas de crianças estão gravemente feridas e, entre outras vítimas infantis,

morreu um menino de apenas onze meses.
Se Israel, além de arrasar Gaza, como é o confessado propósito de seus extremistas, atacar o Irã, será quase impossível evitar uma terceira guerra mundial. O momento, sendo de recessão econômica global, é propício ao desvario dos conflitos armados. Como registra a História, nada melhor para o capitalismo do que um grande conflito, do qual ele sempre emerge fortalecido. Mas não parece que, desta vez, os vencedores venham a ser os mesmos.
http://www.viomundo.com.br/politica/mauro-santayana-israel-e-a-nova-guerra-mundial.html

domingo, 18 de novembro de 2012

A bicicleta

Um mestre Zen viu cinco dos seus discípulos voltando das compras, pedalando suas bicicletas. Quando eles chegaram ao monastério e largaram suas bicicletas, o mestre perguntou aos estudantes: “Por que vocês anda com suas bicicletas?”
O primeiro discípulo disse: “A bicicleta carrega, para mim, os sacos de batatas. Estou feliz por não ter de carregá-los em minhas costas!” O mestre elogiou o primeiro aluno: “Você é um rapaz muito inteligente! Quando você crescer você não andará curvo como eu ando.”
O segundo discípulo disse: “Eu adoro ver as árvores e os campos por onde passo!” O mestre elogiou o segundo discípulo: “Seus olhos estão abertos e você enxergará o mundo.”
O terceiro discípulo disse: “Quando eu pedalo minha bicicleta eu fico feliz em ber mio renge quio.” O mestre louvou o terceiro estudante: “Sua mente se expandirá com a suavidade de uma roda novamente centrada.”
O quarto discípulo falou: “Pedalando minha bicicleta eu vivo em harmonia com todas os seres sensíveis.” O mestre ficou feliz e disse ao quarto estudante: “Você pedala no caminho dourado do bondade.”
O quinto aluno disse: “Eu pedalo minha bicicleta por pedalar”. O mestre sentou-se aos pés do quinto estudante e disse: “Eu sou seu discípulo.”
Provérbio Zen


 imagens/Google























Garotas de bicicleta/ Pedalando por SP


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Cada dia que passa, tem aumentado o numero de pessoas usando bicicleta, do que o carro para a locomoção na cidade de SP. Existem vários grupos, o meu por exemplo é o grupo sem grupo, que sempre usou a bike. Neste grupo estão milhares de pessoas que cruzam a cidade em direção ao trabalho, economizando tempo, dinheiro e ainda se divertindo neste trajeto diário, sem contar a questão da saúde, que melhora um pouco. Tem o grupo de ciclistas que se reúnem para um passeio noturno, muitas bicicletas e pessoas de todos os tipos, outro grupo é o dos ciclistas que usam todos os equipamentos, roupas etc, e neste pelotão tem muita gente que normalmente pedala seus 30 Kms brincando. Um outro grupo que chama atenção nas ruas da cidade, também esta parecendo mais um grupo sem grupo, que se espalha por SP é o das garotas de bicicletas ou mulheres de bicicletas. Este pessoal, como na Europa e outras partes do mundo usam a bike para sair na noite, cruzam a cidade tranquilamente, com a roupa que usa quando esta dirigindo ou quando esta no metro, ônibus. Quando estou na rua vendendo artesanato na noite, sempre vejo alguma garota descendo a rua, entre os carros, indo ao cinema, ao mercado, ou estacionando e guardando a bicicleta pra curtir um bar como todo mundo.
Garotas de bicicleta além de deixar a cidade mais bonita e agradável, estão naturalmente, apenas com esta atitude, dizendo aos transito, ao caos da cidade; Ei! Pega leve, viva melhor, se divirta mais aqui na cidade...Eu também estou indo a algum lugar como você, posso também estar atrasada, pago impostos e contas também  e a minha família me espera em casa também como a sua.
Na minha opinião se o resto das pessoas que usam o transito, inclusive nós da bicicleta, cada um fizer a sua parte, a coisa tende a melhorar nas ruas e, principalmente carros motos e veículos pesados quando ver alguém pedalando, manter a distancia que deve manter e respeitar, porque um leve toque e mais uma pessoa pode morrer. Acidentes acontecem, mas a maioria pode ser evitado com atitudes bem simples, uma delas é o respeito ao próximo. Do que você quando estiver dirigindo com pressa, ver um ciclista na sua frente, achar que ele esta te atrapalhando, jogar o carro em cima, tente imaginar que quem esta ali pedalando poderia ser seu amigo, irmão, filho, ou até a sua mãe.





























terça-feira, 13 de novembro de 2012

Violência em SP: Jornais estranjeiros questionam segurança na Copa do Brasil


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Tempos atrás depois dos ataques e do panico gerado em SP, onde pessoas tiveram que voltar correndo e se trancar nas suas casas, depois que carros e ônibus pegaram fogo por conta disto, tivemos a infelicidade de ainda ter que ouvir varias entrevistas na TV e a pior na minha opinião a do Governador Geraldo Alckmim que dizia estar tudo sob controle.
Bom, novamente a violência esta aí na cara de todos. Primeiro que neste caso o que esta havendo é uma guerra mesmo. O que esta acontecendo no Brasil e principalmente em SP é algo que deveria ser tratado como uma epidemia e com urgência. Os jornais estrangeiros questionam a segurança dos turistas no Brasil durante a copa, a questão não é somente isto e sim como um Estado dito Democrático permite esta matança, esta guerra sem nome onde morrem pessoas de todos os lados, inclusive muitas que não tem nada a ver com o que esta por trás disto.
Antes falavam que o Brasil era o país do futuro, agora tem até uma propaganda que fala que o gigante despertou, mas a verdade é outra, por aqui parece que o povo esta sob efeito de algum anestésico, convive com números de mortes no transito e pela violência como se nada estivesse acontecendo. Segue dançando, entre uma noticia de uma chacina, mais uma morte de uma jovem em assalto de carro, abre mais uma cerveja e esta tudo bem. Qual é a próxima novela? A nova velha novela do Dono de Empresas que não quer que a filha se case com o rapaz pobre e a tirana que paneja as suas vitimas. E o povo corre pra casa voltando do trabalho nos trens e metros lotados para resumir as suas vidas nisto. O resultado de uma cultura alicerçada em tanta fantasia não poderia fugir muito do que agora explode. Não que a culpa seja da novela, mas são vários ingredientes que se somam neste caldeirão no país do carnaval, do futebol da alegria e também de muita hipocrisia.
Ontem cheguei de trem de São Paulo e em Santo André não tinha ônibus as 00:30 hs, o comunicado era que estava tudo parado e sem previsão de restabelecimento. Segundo boatos haveria um toque de recolher informal. Quer dizer; Copa do mundo no Brasil? Claro que vão dar um jeito, os turistas não podem morrer, mas nós no momento podemos!!!  Não tem problema algum pelo que parece. Ontem o que fiz foi encarar as ruas desertas e caminhar 5 kms pra chegar em casa, correndo o risco de me transformar em apenas mais um numero das estatísticas da “Gerra a la Paulista”.
O que tinha que ser feito não foi feito nestes últimos 40 anos e agora? Do que procurar acabar com a miséria, administram, fazem remendos. O que esperar de qualquer lugar dividido entre uma minoria de milionários e seus seguidores e de uma outra condenada a escravidão moderna. Um Neymar por ex: pode comprar varias Ferraris por ano se quizer e a maioria dos trabalhadores que lotam os estádios, ralam e ganham uma miséria, precisam se encher de dividas para tentar manter um padrão minimo. E quando perdem isto...
 O que fazer então?Eu diria que um bom começo seria acabar com as favelas. Sabe como se acaba com as favelas; Fazendo reforma agraria decente, redistribuição de renda, melhorando o nível de todos, educação de qualidade, dando moradia decente, ou melhor qualquer Brasileiro tendo condições de ter um bom salario constroe a sua casa com dignidade.Vanderlei Prado
Obs: A incompêtencia é tão grande por parte de muitos políticos que a PM do que trabalhar naquilo que é a sua função, dar segurança a população, na gestão do Prefeito Kassab estava sendo usada para perseguir trabalhadores de rua informais, sem permissão. Inclusive artesãos e artistas de rua;http://wanderart.blogspot.com/b/post-preview?token=Xpzr-zoBAAA.J1u8fhe7HWwD5___VGYCww.Wq-4ylTWEFAeV-JnaJo8wA&postId=8718445886012604172&type=POST

 sobre a origem da violencia ;http://wanderart.blogspot.com.br/2012/02/o-brasil-alem-das-mulheres-lindas.html







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A violência é como uma doença que tem a sua origem no desequilíbrio das partes do corpo, do sangue. A grande violência, o caos social nasce pela incompetência de muitos governos que na verdade não servem nem pra serem sindicos de prédios e do próprio povo que por ser acomodado, não busca informação e coloca pessoas despreparadas para governar.

domingo, 11 de novembro de 2012

Guilherme Varella: Você, internauta, sob dupla ameaça

Marco Civil da Internet: entre o lobby e a liberdade
Guilherme Varella – 09/11/2012 – 12h11
do Última Instância
dica da Maria Frô
Há cerca de dois meses, escrevemos que o Marco Civil da Internet, a principal proposta de estabelecimento de direitos civis na rede, estava na marca do pênalti (“Marco Civil na marca do pênalti”, 05/09/12), pronto para ser cobrado. Prestes a ser tento comemorado pela sociedade brasileira.
No entanto, dois lobbies econômicos muito poderosos conseguiram, além de alterar o ótimo texto do projeto de lei, impedir sua votação: o lobby da indústria autoral e o das empresas de telecomunicações. Na última quarta-feira (7/11), mesmo com a bola no pés, Governo e deputados não cobraram o pênalti. E, se tivessem cobrado, seria um chutão pra lua.
O Marco Civil da Internet – que tramita agora através do PL 5.403/2001 – estabelece os princípios, objetivos, direitos, obrigações e responsabilidades na rede. É a base legal para a cidadania virtual, para o tratamento isonômico dos usuários, para a não discriminação de sua navegação e para a concretização de uma Internet efetivamente livre: para a expressão, para a troca, para a criação, para a inovação, enfim, para o desenvolvimento.
É por isso que a proposta elenca, como um de seus princípios, a neutralidade da rede, para evitar que interesses econômicos injustificados se sobreponham ao direito de todos se manifestarem e usarem a rede como quiserem.
E é por isso também que o projeto estabelecia, no seu artigo 15, a retirada de conteúdos do ar apenas com decisão judicial, após realizado o contraditório e a ampla defesa, em plena consonância com os pilares do Estado democrático de direito. Trata-se de priorizar a liberdade de expressão e o direito de acesso e afastar a censura privada na Internet.http://www.viomundo.com.br/denuncias/guilherme-varella-voce-internauta-sob-dupla-ameaca.html( matéria completa/Viomundo)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tarso de Melo: Ser índio em tempos de mercadoria

A recente divulgação da carta que uma comunidade indígena Guarani-Kaiowá de Dourados (MS) enviou à Justiça Federal pedindo que, uma vez que não lhes é permitido viver da forma que consideram digna, seja logo decretada a morte de toda a comunidade, por cruel que pareça, não deveria causar espanto. Condenados à morte, sejamos sinceros, os índios brasileiros já estão há mais de 500 anos, mas a execução da sentença é lenta, torturante e cínica.
O que espanta, desta vez, é que os próprios Guarani-Kaiowá tenham pedido ao seu inimigo mais ou menos declarado – esta coisa que insistimos em tratar como “civilização” – que seja mais sincero. Sim, mais sincero e diga claramente que o índio não interessa, não se encaixa no modo de vida a que todos, sem privilégios (ouçam o eco iluminista…), estamos condenados.
Aprendemos com Marx que o capital libertou o trabalhador da escravidão à força, típica de formações econômicas pré-capitalistas, para submetê-lo a uma forma diversa de escravidão: o trabalho assalariado, a compra e venda da força de trabalho. (Sim, ainda há trabalho escravo – e ele não é incompatível com o capitalismo. Apenas não pode ser a regra, porque a valorização do capital depende de sua circulação também na forma de salário, o que não impede que um ou outro capitalista faça uso da extração violenta da força de trabalho.)
O trabalho como mercadoria é – em regra, insisto – o único compatível com uma sociedade em que tudo é mercadoria, em que o acesso aos bens indispensáveis à existência passa inescapavelmente pelo mercado: pagou, tem; não pagou, não tem.
Ponto final. É óbvio, neste esquema rigoroso de trocas, que não se tolere qualquer exceção à lógica mercantil. Em outras palavras, o que o capitalismo não tolera é a manutenção, em seu mundo, do que não é mercadoria e, ainda por cima, impede o livre desenvolvimento de suas forças.
O que são, afinal, os índios para a ordem capitalista? Um ônus, um entrave, uma aberração, mas que, por não ser conveniente à “civilização” assim declará-los, recebem da nossa Constituição instrumentos para sua proteção que são constantemente “desmoralizados” (e é inevitável usar aqui esta palavra porque a proteção aos índios assume exatamente uma feição moral na ordem jurídica, ao mostrar como somos gratos e responsáveis com nossas, digamos, “origens”), como na decisão da Justiça Federal que exterminou, por enquanto, a paciência dos índios e sua esperança de viver no espaço que a “civilização” reservou àqueles que a antecederam. E sobreviveram à sua afirmação.
A carta à Justiça Federal não deixa dúvida: os Guarani-Kaiowá cansaram de reivindicar o direito de sobreviver como índios e não aceitam viver senão como índios. Não aceitam migrar para o regime do trabalho precário (prestado, no geral, a quem tomou suas terras) ou da mendicância às margens do exuberante mundo das mercadorias.
O “bilhete suicida” que essa comunidade manda para nós, não o tomem como chantagem, “drama” etc. É um “basta”, um “chega”, mas principalmente uma prova de que os índios, com sua habitual sabedoria, entenderam melhor do capitalismo e de sua “civilização” do que nós, que nele estamos afundados até o pescoço – e um pouco mais.
Não só sua própria existência, mas a forma como os índios insistem em mantê-la é uma grande afronta ao capital e sua lógica.
Vejam o que diz a carta: “Nós comunidades cultivamos o solo, produzimos a alimentação aqui mesmo, plantamos mandioca, milho, batata-doce, banana, mamão, feijão e criamos de animais domésticos, como galinhas e patos. Aqui agora não passamos fome mais. As nossas crianças e adolescentes são bem alimentadas e felizes, não estão pensando em prática de suicídio.Assim, há uma década, nesses 12 hectares estamos tentando sobreviver de formas saudáveis e felizes, resgatando o nosso modo de ser e viver Guarani-Kaiowá, toda a noite participando de nosso ritual religioso jeroky e guachire”.
Como assim alimentadas, saudáveis e felizes? Sem ter pago por isso? Este intercâmbio do homem com seus iguais e com a natureza orientado apenas e tão-somente por suas necessidades – do espírito e do estômago – é inadmissível para o capital. Mais ainda: é sobre sua negação que se constituiu a forma como vivemos nos últimos 3 ou 4 séculos.
Os índios, neste contexto, são não apenas supérfluos, mas uma espécie de mau exemplo a ser apagado do horizonte de formas de “ser e viver” à venda – sim, à venda – em nosso tempo. O que será de uma sociedade “sem alternativas” se tolerar uma forma de vida que se nega à troca, ao dinheiro, à concentração da riqueza, ao desperdício? Desta vez, a pedido dos próprios índios, a “civilização” terá oportunidade de declarar o que pensa a este respeito.
A propósito, a Constituição brasileira afirma que “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens” (art. 231).
Se nossas autoridades, que têm sua função justificada por essa mesma Constituição, não se preocuparem em respeitar tais palavras, será muito difícil evitar que se confirmem a tragédia da carta dos índios e o pessimismo das linhas acima. Mas também será cada vez mais difícil – creio e espero – manter os grupos oprimidos e suas reivindicações dentro de comportados limites legais.
*Tarso de Melo (1976) é advogado, mestre e doutor em Direito pela FDUSP, professor da FACAMP e coordenador de pós-graduação da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. É um dos coordenadores da coleção Direitos e Lutas Sociais (Dobra/Outras Expressões).http://www.viomundo.com.br/falatorio/tarso-de-melo-ser-indio-em-tempos-de-mercadoria.html
Legião Urbana/ Indios

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Nada como um tratamento de canal se você gosta de ser torturado.


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 Quinta feira, 31 de outubro de 2012, sec: XXI, pego a minha velha  bicicleta e vou na direção do centro de Santo André , tenho que ir ao dentista, estou fazendo tratamento de canal, na verdade nem sei bem o que é isto, mas estou fazendo. O que sei até o momento é que você deita em uma cadeira e passa um bom tempo sem poder fechar a boca, um cara, o dentista, em uma posição mais tranquila fica cavocando, limando, se divertindo pra acabar com a raiz do seu dente doente.. Todos falam mal do PT mas só não vou perder mais dois dentes porque em Santo André você pode fazer isto de graça, com  qualidade, em uma clinica publica.
Eu inventei a minha “ciclovia”, um traçado até o centro, muito mais rápido que ir de ônibus, a única coisa estranha é ver a maioria dos carros passando ao seu lado, muitas naves, com vidros escuros que não dá pra ver nada lá dentro, tudo fechado por causa da insegurança publica. Fico imaginando quem esta dentro do carro, pode estar olhando pra você rindo da sua cara dizendo pra quem esta ao lado; Olha querida este idiota pedalando pela cidade com a sua bicicleta velha e ridicula. Mas fora do ovni de vidros escuros ... a vida, o vento, oxigênio... embora muito poluído.
 Chego no bicicletário da CPTM, muito bom pra mim que vivo reclamando de tudo, ali tenho que manter a boca fechada, tudo funciona e a molecada que trabalha  gosta do que faz. Coloquei a bike no seu lugar e fui assinar um papel para depois retirar a bicicleta. A garota me perguntou; Qual o nome da sua bicicleta, demorei pra responder, depois lembrei que a marca é algo como sundow,  depois de um tempo respondi  dizendo que o nome era Maria Eduarda da Silva. Ela riu, eu disse  que ainda não tinha pensado em um nome, talvez caísse bem um nome de cachorro; Rex ou como bicicleta é do sexo feminino; Jabiraca number two.
Chego na clinica , sento pra esperar a minha vês, mais uma sessão de tortura me espera.
 Hoje quando a minha irmã me ligou pra dizer que eu tinha que passar  na sua casa, eu respondi que iria depois do dentista, se estivesse vivo! O tratamento onde faço é bom, mas tratamento de canal é tratamento de canal, muito tempo com a boca aberta, você leva uma picada e aí o cara, o dentista, fica cavocando, coloca umas limas, então a sua fuga desta situação na cadeira é usar o poder mental,  você pensa naquele dia do passado que você estava  na praia de Jericoacoara por ex: com mulheres lindas( vendo) de todas as partes do mundo, você dá um mergulho, passa no chuveiro e esta de frente pro mar... pior que não funciona, tem um zumbido que é mais forte da maquininha do dentista do lado da sua cabeça. Enquanto eu aguardava a minha hora, ao lado em outra sala a porta estava aberta, quando olhei tinha uma pessoa fazendo o mesmo que eu iria fazer, tinha algo prendendo parte da sua boca e então pude ver que a pessoa, enquanto o dentista foi até a outra sala pegar algum instrumento,  estava com um celular na frente da boca tirando foto. Adolescente, pensei, esta postando no Facebook. Confirmado, quando saiu da sala, devia ter uns 15 anos e estava se divertindo.
Chega a minha vês, sento, ou melhor deito na cadeira encosto a cabeça como sempre e o dentista vai arrumando as coisas e a posição da  cabeça pra fazer o trabalho. Desta vês tem algo errado, a cadeira sobe, mas a parte que regula a cabeça não esta funcionando, depois de varias tentativas eu disse com muita satisfação;  Se não esta funcionando marcamos pra próxima semana... muito bom, ele concordou porque a outra cadeira disponível também não estava funcionando. Saí sem muita bronca, é como adiar o seu pior dia da semana, tudo bem hoje não vou sair daqui com a sensação de ter parte da cara inchada e os dentes quebrados. Na hora de remarcar o tratamento pra próxima semana, os funcionários conversavam e o que pude perceber é que estavam tendo problemas com a troca de Prefeito na cidade. O Prefeito perdeu as eleições e agora com o novo Prefeito muitos funcionários que estão trabalhando,  não são funcionários concursados e vão ter que sair com a nova  gestão em Santo André, então novamente a gente se depara com a velha questão de sempre que atrapalha a nossa vida quase todos os dias, ano após ano, a "PULITIKA” ou melhor a 'PULITYKAGEM VAGABUNDA DE SEMPRE".Vanderlei Prado
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" Enchendo linguiça", pra atrapalhar um pouco mais a sua vida.
 Enquanto escrevia este texto  veio a minha mente uma conversa que tive outro dia  com o meu sobrinho, ele me falava sobre os livros que mandavam ele ler na escola pra ele aborrecidos, chatos
. Segundo ele, o escritor pra dizer simplesmente que foi ao jardim, usava um tanto a mais de palavras pra enfeitar o pavão e isto só fazia ele perder tempo e gostar menos ainda de ser obrigado a ler aquilo que iria cair na sua prova. Pensando nisto agora no final deste texto resolvi fazer uma tentativa de ser um cara chato escrevendo a mesma coisa; Pegar uma bicicleta e ir até algum lugar. Vamos enfeitar o pavão, deve ficar mais ou menos assim; Naquele dia quando acordei, com os olhos praticamente fechados, gosmentos pelas remelas que escorriam pelos cantos se espalhando pelo rosto me dando a clara sensação de sono interrompido , sonhos perdidos, trocados por tarefas pontuais que não poderiam ser naquele momento adiadas, peguei a minha bicicleta antiga de cores disformes, levemente enferrujada pela ação do tempo e descuido e comecei a pedalar, pedalar, pedalar, pedalar, pedalar, pedalar...na direção do centro de Santo André, uma cidade de origem operaria que cresceu baseada no trabalho das inumeras industrias que se instaram na região...
Não, não, acho que não vou conseguir, melhor deixar para os mestres esta tarefa.
O peso/ Boca louca

O dia do ladrão Fui roubado, entraram na minha casa, quebraram o vidro e arrombaram um cadeado, já era previsto e tinha tirado já ...