sábado, 21 de setembro de 2013

A invasão dos “urubus” no Rock in Rio pra colocar ordem na casa/ Metallica


No dia em que os “urubus “( milhares de camisas pretas) também conhecidos como headbanger,  invadiram o Rock in Rio, mais uma ves pra colocar ordem na casa e resgatar uma parte da ideia inicial que era o Rock in Rio ser um festival de rock, muitos guitarristas, vocalistas, músicos da mesma geração do final dos anos 70 e começo de 80, que também estavam formando as suas bandas por todas as partes do mundo, devem estar perguntando como eu; O que significa isto!!! Como? Nós não conseguimos nem formar a nossa banda e estes “moleques” chegaram a este ponto. Valha minha Nossa Senhora dos metais pesados, vanádio, estrôncio, e zinco, será que agora estão querendo mostrar ainda mais serviço pra talvez dividir o degrau mais alto do som pesado com seus pais, o Black Sabbath...Não, o Sabbath nem é mais uma banda, se transformou numa entidade inatingível que do alto do seu castelo, apenas contempla com muita atenção A TENTATIVA DE SEU FILHOS em alcançar e dividir o trono, no máximo olham e dão um bocejo...Oh! Bom estes garotos de 50 anos, que solo interessante...Este James Hetfiled e este Kirk Hammett tem futuro, James sabe fazer uma guitarra soar como uma metralhadora, ou então, depois de tanto tempo, voltaram a bater cabeça e pular pela sala com o som dos seus discípulos.
Ontem assistindo o Metallica pela madrugada, quando menos percebi eu estava tocando novamente a minha guitarra e bateria invisível. Ainda bem que não tinha ninguém pra me dizer; Para já com isto, tire esta camisa preta velha e volte já pro seu pijama!
Ontem, tirando umas entrevistas desnecessárias pra não dizer outra coisa, com figuras conhecidas da TV, o trabalho do pessoal do Multishow foi muto bom. As entrevistas com as bandas e cenas com o publico que encheu aquilo tudo de preto foram bem feitas. Teve uma cena que passou bem rápido, era um garoto, devia ter uns 10 anos e uma menina de no máximo 12 de camiseta preta e batendo cabeça com personalidade de headbanger, "urubu" com muita propriedade. Por tudo isto e mais alguma coisa que o Rock esta aí e deve seguir por mais uns mil anos, pelo menos.
Ontem eu acabei perdendo o show do Sepultura que deve ter feito um super concerto, os caras sabem o que estão fazendo ali neste dia e neste palco, vi uma parte do "Papa" com a sua missa, interessante mas...Tragam me um chá...
Alice in Chains quando entrou levou a coisa lá pra cima, muito bom e aí o Metallica simplesmente assombrou. Como disse um comentarista : Sem Palavras...E foi isto mesmo, quem assistiu e gosta do tipo de som, sabe que foi um dos melhores concertos de rock de todos os tempos

Metallica - Rock in Rio 2013https://www.youtube.com/watch?v=hprutgs6S00


 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O artista na Rua/ Antônio Carlos em "O Grito"


Milhares de pessoas caminham pelas ruas das cidades, todos os dias, por varias partes do mundo.
Pessoas e seus pensamentos, trabalho, diversão, problemas, sonhos e metas a ser alcançadas. A neurose da cidade grande, o medo, a desconfiança geral e portanto pouca comunicação de verdade. A fuga: Todos se escondem e correm pra algum ponto, algum lugar ou mesmo algo inventado dentro da própria mente, um oásis na cabeça( isto pra quem ainda é criativo num mundo onde todo mundo passa olhando pra sua telinha do celular). São Paulo não tem praia, pouco verde, muito concreto e milhares de carros. Nas minhas viagens cada vês mais frequentes pelas ruas e becos de New York( o boneco do Mapa do Google) percebo que tudo aquilo parece mais vivo, cores, arvores, o Times Square, pessoas ligadas no barato daquelas enormes propagandas nos prédios de mais de 30 andares. Tem bancos ao longo de vários caminhos pras pessoas pararem e dar um tempo, ficar de “bobeira”, olhando e descansando o corpo e a mente.. Parece que é de “verdade”, uma cidade para as pessoas, o contrario de São Paulo onde pelo menos eu tenho quase sempre a impressão que é um lugar onde a arquitetura tomou um rumo pra que as pessoas não parem muito, somente circulem, trabalhem bastante pra riqueza de poucos e voltem para os seus lares, longe, para dormir e no outro dia fazer tudo novamente.
Li um artigo num jornal onde um arquiteto conhecido falava sobre a influencia da arquitetura na cidade, na vida das pessoas e na política e de como se podia mudar uma cidade rapidamente através disto . Logo depois de um tempo, ainda na gestão passada vi bancos sendo colocados nas praças com um ferro no meio para que as pessoas não deitassem, vi muitas arvores sendo podadas na Av. Paulista para que a área ficasse mais “limpa” pra que nada se escondesse, nenhum banco pra sentar, pelo contrario ao longo de um canteiro central, uma quina dura pra afugentar quem por ali tivesse a “ousadia” de sentar. A hipocrisia disto tudo é quando vejo alguns comerciais na TV onde procuram locais e encenam coisas que não faz parte da cultura local . Isto sem falar na quantidade de pessoas brancas com traços europeus para que isto se pareça com outro mundo( apesar que vi isto também em vários países aqui próximos, alguns com uma população de maioria de origem indígena mas que nas propagandas e telenovelas o padrão era Europeu..) Pra mim São Paulo ainda sobrevive, tem um pouco de saúde apesar de tudo, graças a boa parte das pessoas desta cidade, gente que sempre esta fazendo algo e transformando o que pode, inventando e também graças aos loucos”, artistas de rua, artesãos, pessoas que improvisam num simples passeio de domingo, outro dia vi uma bailarina na calçada tirando fotos e uma garotinha brincando com o efeito do vento que vinha das grades do metro, um adolescente misto de punk e glitter com cabelo rosa e uma camiseta escrito: I love... e o resto da frase algo assim como esquizofrenia ou algo parecido. Usando uma frase de Jeck Kerouac: “Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam”.
Um desses personagens de São Paulo, um desses “loucos” que transformam a vida das pessoas que passeiam pelas calçadas aos domingos na Av. Paulista é um ator, seu nome é Antônio Carlos Teixeira, já participou de vários comerciais famosos de TV e também teve participações em novelas e filmes, ao lado de muita gente conhecida da telinha e atualmente desenvolve o seu trabalho na rua; Uma performance- intervenção inspirada no quadro “ O Grito” (1893), do pintor noruêgues Eduard Munch. O seu trabalho mistura a técnica da estatua viva com citações de poesia e o principal que na sua intervenção com o publico, que acontece a todo momento o improviso é o que faz o seu trabalho ser diferente do que tenho visto na maioria das ruas da cidade. As pessoas param pra tirar fotos, colocar dinheiro no chapéu e recebem em troca a atenção e poesia na dosagem certa. É muito diferente e interessante, algumas pessoas no inicio se assustam com o personagem parado no muro do Casarão em ruínas da Paulista, outras se divertem e param pra ouvir os poemas, teve uma criança que passou olhou e comentou com o paí que não valeu porque estatua não se mexe, claro que o garoto de uns 6 anos pensa que o trabalho que Antônio Carlos faz é o mesmo das estatuas vivas.
Uma das qualidade das mais importantes que uma pessoa pode ter, pra mim, é a honestidade, não falo da honestidade ligada a moral convencional, que foi colocada goela abaixo pra você nas escolas, igrejas, dentro da sua própria casa. Isto tem a sua importância na sua formação, mas talvez eu esteja falando de outra coisa, da verdade relativa da sua curta existência no planeta, a sua verdade, ser dono dos seus movimentos, a maioria dos pensamentos, vontade e aí o seus limites e respeito com o outro. Disto tudo, as suas atitudes se somam a outras tantas para formar o que chamamos de mundo. Antonio Carlos costuma nas sua conversas falar que um dos problemas do mundo, simplesmente é a falta de amor e no seu caso a honestidade que demonstra, mais a entrega, corpo e alma que faz na sua performance, forma algo parecido como uma entidade junto com o publico nestes domingos no muro do Casarão da Paulista, colaborando por um breve momento  que o mundo se torne melhor.
Eu vendo artesanato na rua, não sou artista mas faço parte deste movimento há muito tempo, estive vagando pela América do Sul, atravessei o deserto do Atacama de carona pela Pan Americana, bêbado por uns 15 dias em Cusco no Peru, Colômbia, Manaus e 10 anos nas praias do Nordeste, Fortaleza. A ideia inicial era chegar na Califórnia, São Francisco mas quem manda na estrada é o vento e depois deste giro,  já a pelo menos 17 anos estou de volta as ruas de SP, Teodoro Sampaio e Augusta e por ultimo dei a sorte de baixar a minha “nave”, as peças de artesanato, na Av. Paulista, no muro da velha mansão; O casarão da Paulista onde o ator Antônio Carlos tambem desenvolve o seu trabalho. Entre a luta pela sobrevivência de vender artesanato eu ainda posso ver a performance de O Grito e ainda assistir ao grande espetáculo que acaba se tornando a Av. Paulista aos domingos, com as cores que invadem a avenida, com os artistas, artesãos, pessoas de todas as partes do mundo, até os prédios que durante a semana parecem mais cinza, neste dia mudam de cor. Em frente ao casarão no entardecer com o sol se pondo e o acender das luzes, um conjunto de prédios na minha frente refletem uma cor de piscina, mar, por causa do efeito dos vidros espelhados.
 SP estava tomando um rumo repressivo, a arte na rua estava proibida e tivemos que correr muito da policia enquanto buscávamos uma solução por meio da politica. Agora finalmente foi aprovada a lei dos artistas de rua que permite o nosso trabalho sem termos que fugir como bandidos da Policia Militar. Ao contrario da era “Feudal” que acabamos de passar, parece que a Prefeitura deve seguir investindo nesta ideia que faz bem pra todo mundo que é simplesmente a arte na rua e com isto a cidade se transforma em um lugar pra se viver e não somente pra que pessoas caminhem apressadas, com medo das outras( Vanderlei)
 

Foto - Marcos Xavier Dias
Performance-Intervenção

Foto - Marcos Xavier Dias


Performance-intervenção do ator Antônio Carlos Teixeira. Inspirada no quadro "O Grito" (1893), do pintor norueguês Edvard Munch, que está no museu de Oslo, um dos ícones do expressionismo. O trabalho consiste numa mistura da técnica de estátua viva com textos teatrais e aforismos de diversos autores; entre eles: André Breton, Antoine de Saint-Exupéry, Bertolt Brecht, Campos de Carvalho, Clarice Lispector, Friedrich Nietzsche, Johnny Depp (ator), Violeta Parra, William Shakespeare, e outros de autoria desconhecida. A estátua é sugerida, não pela textura, mas pelo lúdico: a imobilização extrema, o rosto, as mãos e os pés brancos como o mármore (recobertos de maquiagem branca). Há uma provocação simbólica de autoprojeção na figura paralisada, de boca aberta na expressão de um grito. Como se a figura representada, que grita seu grito existencial e silencioso, fosse espelho do "outro", do transeunte, do seu semelhante. Na aproximação de espectador(es) e/ou ao ouvir o tinir das moedas ou perceber o voo das notas em direção ao fundo do chapéu, a paralisação da estátua é quebrada pela verborragia da poesia, a filosofia é pretensiosamente instaurada. E em algum ponto literal de um texto ou frase, onde ator e interlocutor(es) respiram e pairam o olhar, a paralisação da estátua viva é retomada lentamente até a posição inicial, e, contraditoriamente, imponente com o seu figurino fragmentado (de retalhos) e colorido, com as cores expressionistas como a tela de Munch. E é como se a figura apresentada, todos ali e tudo ao seu redor compusessem uma releitura do quadro. 

"O GRITO é de Edvard Munch, é meu, é SEU, é dele, é dela. O GRITO é de todos nós." - diz a estátua viva, mais do que viva!


Texto:    Antônio Carlos Teixeira

Revisão: Daniel Rech Vêga

O Ator.

Antônio Carlos Teixeira, carioca, freqüentador assíduo de São Paulo há mais de dez anos, sendo que nos últimos quatro anos, resolveu assumir a capital como cidade residente. De formação teatral, fez parte da Cia F... Privilegiados no Rio de Janeiro, fundada e dirigida por Antônio Abujamra, adquirindo forte influência Brechtiana, herdada do mestre e diretor, que sempre demonstrara em seus trabalhos. Circulou um pouco por televisão e cinema. Participações em diversas produções da Rede Globo: “Caras & Bocas”, “Beleza Pura”, “Sítio do Picapau Amarelo”, “Sob Nova Direção”, “Minha Nada Mole Vida”, dentre outras; HBO e produtora Mixer: “O Negócio”; propagandas: Postos Ipiranga, Claro Telefonia, Cerveja Kaiser, VR Refeição, Banco da providência, Dupla Sena, Associação Brasileira de Propaganda, Cartão Visa, Unimed, sandálias Havaianas e outras; cinema: “A Mulher Invisível”, “Entre Macacos e Anjos” (em pós-produção) e Zico, o Filme.


Texto:    Antônio Carlos Teixeira
Revisão: Daniel Rech Vêga
Vídeos de trabalho:http://br.youtube.com/AntonioCarlosbook








Arte na Rua

"Qual é a sua estrada, homem? - a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?"
Jack Kerouac





Antônio Carlos Teixeira
 
Carmina Burana/ O Fortuna    Carl Orff

Oh, fortuna,
Variável como o
Estado da lua,
Sempre crescendo
Ou decrescendo;
Vida detestável
Agora oprime
Depois alivia
Brinca com o desejos das mentes,
Pobreza,
Poder
Dissolves como gelo.


Destino monstruoso
E vazio,
Tu, roda volúvel,
és malevolente,
Bondade em vão
Que sempre leva a nada,
Obscura
E velada
Também me amaldiçoaste;
Agora - por diversão -
Trago o dorso nu
à tua vilania.


O destino da saúde
E virtude
Me é contrário,
Dás
E tiras
Sempre escravizando;
Então agora
Sem demora
Tange essa corda vibrante;
Já que o destino
Extermina o forte,
Chorais todos comigo.

A origem de Carmina Burana:http://www.das.ufsc.br/~sumar/perfumaria/Carmina_Burana/carmina_burana.htm

O casarão

Balada do Louco - Os Mutantes (Video clip)Daniel Cruz886

 




O dia do ladrão Fui roubado, entraram na minha casa, quebraram o vidro e arrombaram um cadeado, já era previsto e tinha tirado já ...