sexta-feira, 22 de junho de 2012

Massacre do Pinheirinho denunciado ao CNJ e à OEA

Ex-moradores do Pinheirinho, movimentos de direitos humanos e advogados entregaram à ministra Eliane Calmon Reclamação Disciplinar contra cinco membros do Judiciário paulista
por Conceição Lemes
Nesta sexta-feira 22, a desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), completa cinco meses.
Mais de 6 mil pessoashomens, mulheres, crianças de todas as idades, idosos e enfermos – foram retiradas violentamente do terreno em que moravam há mais de oito anos por uma tropa de choque de mais de 2 mil policiais  da Polícia Militar do Estado de São Paulo e da Guarda Civil Metropolitana. A maior parte dos moradores perdeu tudo: desde casa (todas demolidas), móveis, fogão, geladeira, TV, computador, roupas até documentos.
Um verdadeiro massacre autorizado pelo governador Geraldo Alckmin e o prefeito Eduardo Cury, ambos do PSDB, com a complacência do Judiciário paulista.
Para que fatos como esse jamais se repitam, vários juristas, entre os quais os professores Fabio Konder Comparato, titular da Faculdade de Direito da USP, e José Geraldo de Souza Júnior, reitor da Universidade de Brasília (UnB), denunciaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Na denúncia, pedem:
* Medidas legislativas e políticas públicas urgentes para que o Estado brasileiro não permita mais episódios como o Pinheirinho nem se confira tratamento semelhante a outros graves conflitos sociais.
* Apuração de responsabilidade das autoridades envolvidas, incluindo o governador do Estado de São Paulo e o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
A divulgação da representação à OEA será feita nesta sexta-feira, às 11h, durante ato na Sala do Estudante da Faculdade de Direito da USP.
É a segunda denúncia formalizada esta semana contra a violência da desocupação do Pinheirinho e as irregularidades do procedimento judicial.
A primeira, na terça-feira 19, foi a Reclamação Disciplinar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra cinco autoridades do Judiciário paulista:
Ivan Sartori, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo
Cândido Além, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo
Rodrigo Capez, juiz assessor da presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo
Marcia Faria Mathey Loureiro, juíza da 6ª Vara Cível de São José dos Campos
Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, juiz da 18ª Vara Cível do Fórum Central João Mendes Júnior.

Pedida ao CNJ a punição de Ivan Sartori, Rodrigo Capez, Márcia Loureiro, Luiz Beethoven, além de Cândido Além que não está nas fotos
A denúncia, assinada por Dalmo Dallari, Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato e Cezar Britto, entre outros juristas, foi entregue à própria Corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, durante reunião em Brasília.  Na representação de 44 páginas, é solicitada instauração de processo administrativo disciplinar.
Sobre a conduta da juíza Márcia Loureiro a representação ao CNJ salienta:
“Diante da condução abertamente parcial em favor da massa falida, também foi apresentada exceção de suspeição contra a juíza Márcia Loureiro “(noticiado às fls. 693-695 – Proc. nº 0296050-27.2011.8.26.0000)”.
“A juíza em questão fez todo um trabalho de divulgação midiática, em uma ampla campanha de nítido caráter político contra a comunidade do Pinheirinho. Várias foram suas intervenções públicas contra aquelas pessoas 15 indefesas, além das referidas declarações de altíssima impropriedade acerca do valor da área”.
“Como se vê, dizer-se da falta de imparcialidade na condução do processo é minimizar o completo empenho da representada em favorecer os interesses da massa falida. Aqui cabe lembrar – para a completa perplexidade – que o pedido dos advogados dessa massa falida era para a realização de uma mera audiência de instrução”.
Sobre a conduta do desembargador Ivan Sartori a mesma representação afirma:
“Todas as tratativas entabuladas por parlamentares e magistrados, sob a ciência e participação ativa do Presidente do TJSP, revelaram-se parte de um ardil”.
“O mesmo desembargador IVAN SARTORI, que no dia 20 de janeiro de 2012 se reuniu com os parlamentares, designou um juiz (RODRIGO CAPEZ) para dirigir o massacre da desocupação do Pinheirinho, dois dias depois, em plena madrugada de domingo, 22 de janeiro”.
“Por mais incrível que pareça, as condutas viciadas praticadas pela magistrada de primeiro grau de jurisdição foram mais que respaldadas pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ampliadas ao grau da barbárie, em cenário de instituição de um autêntico juízo de exceção”.
“De início, ressalte-se a brutal ilegalidade na assunção de uma jurisdição que não lhe tocava, em completa violação às regras de competência”.
“Não existe nem mesmo um arremedo de norma que ampare a usurpação de competência encetada pelo desembargador presidente”.
“Essa exaustiva reprodução textual visou demonstrar de maneira definitiva que não cabia ao desembargador presidente do tribunal paulista exercer o papel que se arvorou em praticar – de algoz de uma população indefesa. Tolerar um desmando dessa magnitude seria renunciar ao próprio estatuto de democracia”.
“Recebendo ordem da justiça federal para suspender a reintegração de posse, o presidente do tribunal fez chegar ao seu subordinado, o juiz RODRIGO CAPEZ, uma contra ordem para “repelir forças federais”, como já foi noticiado na exposição factual. Ora, isso caracteriza nada menos do que a quebra do pacto federativo, com bem sintetizou o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, criticando a postura do presidente do TJSP”.
Sobre a conduta do juiz Rodrigo Capez a representação ao CNJ diz:
“O juiz CAPEZ teve papel de destaque nas articulações que engendraram o ardil. Os depoimentos dos próprios parlamentares certamente delimitará em qual medida essa ação se desenvolveu”.
“As referências às violações éticas já apontadas no tópico antecedente aplicam-se igualmente aqui. Embora transpareça ser apenas um títere assomado pelabanalidade do mal, seu protagonismo é indiscutível”.
“Dessarte, sua posição servil à presidência não o eximia da adoção de uma conduta compatível com os ditames éticos e legais. É isso que deverá ser avaliado pelo órgão correcional”.
Da audiência com a ministra Eliane Calmon participaram  ex-moradores do Pinheirinho, entidades de direitos humanos e os advogados Cezar Britto (ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil — OAB-Federal), Aristeu Neto, Antonio Ferreira, Camila Gomes, Rodrigo Camargo, Marcus Vinícius (secretário-geral da OAB) e Arthur Motta, assessor do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Todos puderam se manifestar, inclusive o senhor Valdir, representante da Associação de Moradores, que descreveu os requintes de crueldade com os quais foi levada a cabo a ação policial de desocupação.
“A audiência foi excelente”, avalia Antônio Ferreira, advogado que acompanha o caso desde o princípio. “A ministra nos escutou e sentimos preocupação da sua parte com os fatos relatados. Percebemos que a Corregedora tinha conhecimento sobre o caso. Saímos de lá com a certeza de que os fatos serão averiguados.”
Camila Gomes, advogada do caso, salienta: “Ficamos com nítida impressão de que o CNJ está preocupado não apenas com a regularidade técnica da atuação dos magistrados, mas também com a ética e a responsabilidade social no exercício da função jurisdicional”.
Para o advogado Cezar Britto, ex-presidente da OAB, a reunião no CNJ foi bastante proveitosa principalmente porque dois fatos referentes ao Pinheirinho geram conseqüências positivas na Magistratura.
“O primeiro quando se pediu ao CNJ que adote procedimentos uniformes em relação a conflitos sociais, evitando violações de direitos humanos e possíveis massacres dos cidadãos, fortalecendo assim a imagem do Poder Judiciário como distribuidor de justiça”, observa Britto. “O segundo, e não menos importante, é a adoção de medidas terapêuticas para evitar que fatos como os de Pinheirinho se repitam, caracterizado no pedido de punição aos magistrados envolvidos.”
http://www.viomundo.com.br/denuncias/massacre-do-pinheirinho-denunciado-ao-cnj-e-a-oea.html        Viomundo

terça-feira, 19 de junho de 2012

Que país é este?

Legião Urbana - Alternativa Nativa 1988 --- Que País é este!melfla2

 

A entrevista de Kassab na TV Gazeta


Ontem em entrevista na TV Gazeta quando questionado sobre qual “era a do” partido do Kassab, o PSD, ele disse simplesmente que era um partido de centro com forte presença do Estado, nada mais.
Outro resposta "interessante" foi sobre o apoio a Serra, que ele disse ter um projeto melhor pra cidade, mas como antes ele tentou apoiar o candidato a Prefeitura de SP do PT, então se nesta mesma entrevista estivesse do lado de Haddad, diria que o apoio era porque este tinha o melhor plano de governo pra cidade?
Cuidado com seu voto, enquanto estes “caras” ficam pulando de galho em galho que nem macaco, “trocando figurinhas” o resto da população tem que arcar com o prejuízo de aguentar o “rojão” por mais 4 anos, e não se iluda com esta coisa da cidade estar mais bonitinha, sem ambulantes, nós não estamos na Dinamarca, Suécia onde o índice de desenvolvimento humano é realmente melhor para que as ruas sejam mais “limpas”, aqui há uma enorme desigualdade social e desemprego e estas pessoas que a Prefeitura “varre” simplesmente das ruas, muitas podem engrossar o exercito de “zumbis” que vagam nas noite da cidade de SP sem esperança, outras com menos paciência e estrutura pra aguentar esta situação, entram em desespero e partem pro “outro lado”, é fácil perceber isto analisando o aumento da criminalidade e o aumento de pessoas presas.
Outro dia conversando com um policial que me dizia que eu não podia vender artesanato em uma rua da cidade, eu falava sobre o direito a sobrevivência, que uma pessoa proibida de trabalhar não era uma coisa saudável pra sociedade, ele me respondeu que neste caso aí entraria a outra função dele me mostrando a sua arma. A conversa até que foi amigável, mas analisando friamente, pra quem vota em pessoas que causam a desgraça em massa, é melhor procurar ajudar quem tenta trabalhar, criando alternativas com projetos que funcionem de verdade, ou “passar por cima de tudo”, “lavar a cidade” e depois gastar mais dinheiro combatendo o resultado deste serviço mal feito, lotando os presídios ou gastando mais dinheiro com benefícios do governo pra atender a demanda de mais pobres na cidade?

"As empresas, a corrupção e a democracia", artigo de Jorge Abrahão - Folha de S.Paulo

   
Ainda não responsabilizamos, no Brasil, pessoas jurídicas por atos de corrupção -só os funcionários envolvidos. Isso precisa ser corrigido logo
No que diz respeito à corrupção, a vida no Brasil vai de escândalo em escândalo, com breves intervalos para um cafezinho.
A partir do anúncio de uma operação, assistimos a uma sucessão de informações em doses homeopáticas. Seguem então as acrobacias dos advogados de defesa dos acusados -não para rebater o conteúdo das acusações, mas para achar brechas na legislação visando o arquivamento dos processos. É lamentável observar a que se reduziu o direito nesses casos.
Essas estratégias dissimuladoras, além de gerarem profunda indignação na maioria dos cidadãos, também causam mágoas políticas que levam ao afastamento de muitos da vida política do país, o que é uma perda inestimável.
Essa reação, entretanto, desconsidera o fato de que o desdém com a política só faz com que se perpetue esse tipo de prática.
Avançaremos mais no combate à corrupção na medida em que ela for entendida como uma corresponsabilidade dos governos, das áreas legislativa e judiciária, das empresas e da sociedade civil.
Por isso, precisamos aprofundar a participação, como se cada escândalo fosse o combustível que nos conduz à ação.
Um dos caminhos para uma mudança estrutural é atuar nas causas desses escândalos, principalmente na relação promíscua entre o público e o privado, eivada de distorções há muito construídas e que se evidenciam, sobretudo, no período eleitoral.
O desafio é incentivar ações voluntárias e regulamentações que reduzam a chance de troca de favores entre pessoas jurídicas e partidos políticos.
Temos estimulado a ação voluntária das empresas na promoção da integridade e no combate à corrupção, tendo como objetivo a transparência, a adoção de um código de ética e a qualificação de seus colaboradores para tratar o tema.
Nesse caminho, muitas empresas têm assumido compromissos, dando visibilidade a suas ações e submetendo a sua reputação ao escrutínio público.
Muito além das ações voluntárias, está a regulamentação que universaliza o padrão de atuação das empresas.
Nesse âmbito encontra-se o projeto de lei 6826, que trata da responsabilização administrativa e civil da pessoa jurídica em atos de corrupção contra a administração pública nacional ou estrangeira.
Até hoje, no Brasil, as pessoas jurídicas não são responsabilizadas por atos de corrupção -somente os funcionários envolvidos, pessoas físicas. Isso gera uma enorme distorção, que precisa ser corrigida o mais rápido possível.
Por isso, é fundamental que a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprove o projeto de lei 6826, em votação que deve ocorrer amanhã, 9 de maio.
Quanto mais desvincularmos o interesse público do interesse privado, mais estaremos valorizando a política e as empresas sérias e contribuindo para a consolidação de nossa democracia.
JORGE ABRAHÃO, 54, é presidente do Instituto Ethos, membro do Conselho do Global Compact da ONU e da Comissão Nacional Rio+20
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

terça-feira, 8 de maio de 2012

A República Velha do Brasil/ Questão social ainda é caso de policia

Flagrantes de uma política social

publicado em 23 de janeiro de 2012 às 19:11




















imagens/UOL
No alto, a Polícia Militar pratica a política social dos tucanos em São Paulo (foto Fernando Donasci); foi assim na USP, na cracolândia e, agora, em São José dos Campos, na reintegração de posse do terreno ocupado pelo bairro Pinheirinho. Não há nenhum motivo para que a política social de um governo seja entregue, ainda que por inércia ou incompetência, a policiais.
Abaixo, Claudineide da Silva, que sofre de câncer de mama, é acomodada em um colchão depois de passar a noite em uma cadeira de rodas (foto Rodrigo Paiva).
É incrível que 70 anos tenham se passado e a questão social, no Brasil, continue sendo caso de polícia:
“Questão social é caso de polícia.” Assim o ex-presidente brasileiro Washington Luís resumiu a postura que adotava contra os incipientes movimentos sociais que incomodavam seu governo, de 1926 a 1930. Passados mais de 70 anos do célebre disparate, o que vemos é que grande parte da imprensa brasileira ainda pensa tal qual o proeminente ícone da República Velha.http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/flagrantes-de-uma-politica-social.html

sábado, 5 de maio de 2012

Pessoas de 70 anos, mulheres idosas dormindo na rua?


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Passei pelo terminal de ônibus de Santo André 1 hora atrás, tem umas 3 pessoas que eu já vi dormindo por ali, isto já faz algum tempo. Tem uma passagem subterrânea que liga a CPTM, trem e o terminal, hoje quando passei tinha uma destas pessoas dormindo, uma senhora de aproximadamente 70 anos e um rapaz que parecia ser funcionário, ou da CPTM ou do terminal, chamando a mulher dizendo que ela não podia ficar ali. Vendo a cena pensei;  no momento este deve ser o único lugar que ela deve ter encontrado pra tentar sentir menos frio, se ela segue por ali é porque não tem coisa melhor , não deve ter família amigos, nada. Neste momento da sua vida pelo menos ela não deveria ter este problema de onde dormir, porque como ouvi o que dizia o rapaz, que ela não podia dormir no local; o túnel que liga a passagem das pessoas que descem do trem vindas de SP, então ela teria que ficar circulando. Falar na falência do Estado num caso deste é besteira, porque um país que fracassou em ter um plano para pessoas que por algum motivo vão chegar a este ponto, uma mulher de 70 anos ter que perambular pela cidade atrás de comida e um canto pra dormir enquanto um político ganha mais de  $20.000, pra mim o Estado nem existe, é uma grande farsa. Leva pra sua casa, alguém normalmente vai falar pra mim e eu vou dizer; não... primeiro que também estou correndo pra sobreviver em SP e segundo que independente do que esta pessoa escolheu e talvez algo deu errado na sua vida, esta é mais uma obrigação do Estado, de amparar uma pessoa sem teto. Também podem dizer que o serviço de resgate que a prefeitura deve ter, não conseguiu levar esta pessoa que não quer perder a sua “liberdade” e aí vem outra questão: Será que o lugar destinado pra estas pessoas tem vagas suficientes e ela nesta idade terá uma boa vida, com liberdade? Ou uma pessoa com mais de 60 anos, que não tem nada, também não tem o direito de viver como todas as pessoas, com o apoio do Estado? Poder dormir tranquila, comer bem, poder sair, voltar, ter amigos, visitas, não estou nem questionando os locais que as prefeituras devem ter pra resgatar estas pessoas, mas com tanto dinheiro mal distribuído, até hoje não existe um serviço que vá mais além do que dar a comida e um abrigo pra alguns dias?
Também não estou questionando o serviço do funcionário que dizia pra idosa se retirar do lugar , eu não conheço o seu trabalho, o seu chefe, eu não sei se a questão é só se livrar de um problema ou de trabalhar junto aos órgãos competentes pra melhorar tudo isto.Agora pelo menos já que tudo deu errado,estou escrevendo porque ainda existem muitas organizações que ajudam pessoas com este tipo de problema e se você ler isto e conhecer alguma ou um canal de TV que possa fazer uma matéria seria sobre o assunto, talvez você vai estar ajudando a melhorar um pouco a vida deste pessoal.
Estas 3 pessoas que vi hoje, 3 mulheres na faixa de 70 anos estavam no terminal   do centro de Santo André, na parte de onde sai o ônibus Vila Luzita, o terminal é dividido em duas zonas, e acredito que amanhã lá pelas 24 hs vão estar por lá tentando dormir de "novo".
Vanderlei Prado

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Jack White fala de seu primeiro disco solo ‘Blunderbuss’ e avisa: quer vir ao Brasil














“Blunderbuss", a melódica faixa que batiza o recém-lançado primeiro disco solo de Jack White, é o equivalente em inglês ao velho bacamarte, arma de fogo de grande calibre de uso comum no século XVI. Também é um termo coloquial para alguém desajeitado, tolo, em quem é fácil passar a perna. Na sala da suíte lúgubre do hotel New Yorker, localizado ao lado de um dos terminais ferroviários mais movimentados da cidade, a metade masculina dos White Stripes ri ao pensar nas muitas possibilidades de tradução da palavra de origem holandesa que desenterrou.
— No início, ela me veio como uma solução para representar a relação amorosa retratada especificamente naquela música — conta. — Depois vi que ela refletia a coleção de músicas novas que estava compondo. Mas ela também é uma metáfora para minha guitarra. Há tantos solos neste disco! E ela tem, aqui, esse som de britadeira quebrando muros, um tchaq-tchaq-tchaq constante que já faço há algum tempo, mas agora ainda mais intensificado, com duas guitarras, uma sobre a outra, quebrando tudo.
Quebradeira que também é resultado de sua separação da modelo e cantora Karen Elson, com quem tem dois filhos, e da decretação do fim da banda que o projetou internacionalmente, formada há 15 anos com outra ex-mulher, Meg White. Cabelos negros jogados para os lados, os olhos, igualmente negros, bem abertos, White olha para crias novas como "Missing pieces" (dos versos "Eu pensei que você havia deixado um recado para mim/ Mas era apenas a etiqueta do travesseiro") e as considera as músicas mais pungentes de sua carreira:
— Este é um disco de canções românticas, algumas mais contemplativas, outras com um som mais áspero, mas todas inevitavelmente românticas.
Ainda assim há espaço para o comentário social, presente desde o primeiro disco dos White Stripes ("The big three killed my baby"). O vídeo de "Sixteen saltines", a segunda faixa de "Blunderbuss", apresenta imagens de uma América decadente e, com a exceção do próprio White, perseguido com requintes de crueldade, povoada exclusivamente por crianças. A infantilização erótica e imbecilizante da nação é escancarada em cenas inspiradas no trabalho de Larry Clark e Harmony Korine, responsáveis pelo niilismo adolescente do filme "Kids".
— Minha vontade era falar do que acontece nas esquinas da América. Na cabeça dos americanos, especialmente antes do 11 de Setembro, éramos intocáveis, o sonho não viraria pesadelo jamais. Tolice. É tempo de relembrá-los de que a qualquer momento tudo pode ruir. Tudo aqui é muito frágil — diz. 
‘Semente’ veio com Wanda Jackson
O vídeo foi filmado em Nashville, a Meca do country e endereço de Jack White há seis anos. Lá ele criou a Third Man Records, quartel-general de suas experiências musicais, já comparada a um mix da Factory de Andy Warhol com a batcaverna. Localizada em uma porção industrial da cidade do Tennesse, de seu forno já saíram 45 discos, entre LPs e singles, todos prensados em vinil. Enquanto White conversava com O GLOBO, seus assistentes dirigiam o caminhão-loja da gravadora pelas ruas do East Village, facilmente localizável pela cor amarelo-cheguei e o mote "sua vitrola não morreu".
— Ouvir um disco em vinil é como ir ao cinema. É ver movimento. É a fogueira da música. Para se ter romance, você precisa de mecânica, de movimento. Eu posso compor agora sobre uma velha colheitadeira, mas jamais conseguiria fazer uma música sobre um iPod ou um Xbox — filosofa.
"Blunderbuss" nasceu da produção de "The party ain’t over", o retorno da rainha do rock americano, Wanda Jackson, às suas raízes depois de décadas dedicadas ao gospel. A última vez em que Jack White se apresentou em Nova York, foi ao lado de uma banda de dez músicos, como produtor e guitarrista da diva de 74 anos.
— Foi a primeira vez que comandei uma banda daquele tamanho. Não eram quatro caras como no Raconteurs. Não éramos eu e a Meg. Foi algo completamente diferente. Foi dali que surgiu a semente de "Blunderbuss" e veja o que aconteceu: virei um band leader de duas bandas diferentes, fiquei caro pra dedéu!" — lembra, antes de soltar uma quase gargalhada.
As duas bandas a que White se refere são as formações exclusivamente masculina e feminina com que vem se apresentando na pré-turnê de "Blunderbuss", uma reunião de cobras de ambos os gêneros da rica cena de Nashville.
— Um palco só de marmanjos e outro quase que exclusivo de mulheres mexe com a cabeça de quem vê o show. É uma pegadinha? É uma brincadeira? Ou é uma maneira profunda de se tratar dos dois lados da Humanidade de forma igualitária? Queria ao mesmo tempo provocar o público e criar um novo arcabouço de possibilidades. Não queria estagnação na turnê. Cara, a coisa mais fácil do mundo pra mim hoje é tocar toda noite com músicos as mesmas faixas do mesmo jeito. Mas isso é muito fácil e me assusta pacas. Preciso do desconhecido, sempre", diz.
Velhos favoritos, como "Seven Nation Armies" e "Ball and biscuit" entram no setlist , e os fãs brasileiros, diz White, estão na mira de uma turnê internacional.
— Conto os dias para voltar ao Brasil. O show em Manaus foi sensacional. Eu me casei de manhã e toquei de noite, em plena Amazônia. Isso não acontece sempre na vida de uma pessoa, né? O problema é que, com duas bandas, fica caro pra burro. Será que o governo não daria um desconto pra gente já que são duas bandas? Sei lá, um abatimento fiscal qualquer... Será que O GLOBO não poderia começar esta campanha para a gente poder tocar no Rio? — pergunta, a cara mais séria do lado de lá do Mississippi.
Sem chance de ‘revival’
White, que negou rumores de ter fechado com a Disney o comando da trilha sonora do filme "O Cavaleiro Solitário" ("eles se precipitaram, ainda não há nada certo", diz), também jogou uma pá de cal na possibilidade de retorno dos White Stripes, por mais romântica que a ideia pareça aos fãs da banda-símbolo do revival do garage rock dos anos 1990.
— Não vai acontecer. Aquele foi um tempo maravilhoso, foi o projeto mais intenso do qual já fiz parte. Era tão difícil, e ao mesmo tempo, um desafio delicioso, fazer com que o público prestasse atenção naquelas duas pessoas sozinhas no palco. Mas aquilo eu já fiz. Não há a menor chance de os White Stripes voltarem. Mas vou dizer a você que é extremamente romântico pensar que tivemos nosso tempo e que ele foi bom pacas.


O Globo
 http://www.paraiba.com.br/2012/04/30/83834-jack-white-fala-de-seu-primeiro-disco-solo-blunderbuss--e-avisa-quer-vir-ao-brasil

Jack White - Blunderbuss (full album) pt 1

 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Tarso Genro: Investigar a simbiose entre sistema político, Estado e crime

A instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira abre uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar interessses econômicos e políticos. O artigo é de Tarso Genro.
por Tarso Genro, em Carta Maior
Ao contrário do que torcem — e em parte patrocinam significativos setores da mídia — não está se abrindo uma crise com a instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira. Abre-se, sim, uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose (às vezes espontânea e no mais das vezes deliberada), entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas, como já está provado, não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar, ou interesses de grupos econômicos -criminosos ou não- ou interesses dos diferentes partidos aos quais estes órgão são simpáticos.
Para que esta oportunidade seja aproveitada é necessário, porém, que a CPI tenha a predominância de parlamentares que não tenham medo. Não tenham medo de que o seu passado seja revelado – um passado complicado fragilizaria o resultado da CPI -, não tenham medo de ser achincalhados pela imprensa, pois à medida que contrariarem os interesses que ela defende serão ridicularizados por algum motivo ou atacados na sua honradez. Não tenham medo, sobretudo, de encontrar algum resíduo de envolvimento seu, na teia de interesses, manipulada pelo grupo ora apontado como criminoso.
Uma parte da esquerda, na defensiva em função do cerco a que foi submetida principalmente no primeiro governo do Presidente Lula, convenceu-se que as denúncias feitas pela imprensa não passavam de montagens para nos desgastar. Ora, é razoável supor que muitas denúncias são forjadas (em função de brigas entre empreiteiras, por exemplo, ou para desmoralizar lideranças que são importantes para os governos), mas tomar as denúncias como produto de uma conspiração é errado. É deixar de lado que o estado brasileiro, historicamente cartorial, bacharelesco, barroco nos seus procedimentos e forjado sob o patrocínio do nosso liberalismo pouco republicano, tem um sistema político-eleitoral e partidário, totalmente estimulante aos desvios de conduta e às condutas que propiciam a corrupção.
O uso que a mídia faz dos eventos de corrupção, para tentar destruir o PT e a esquerda é, na verdade, um elemento da luta política por projetos diferentes de estado e de democracia. São diferentes concepções de republicanismo que estão em jogo, entre um republicanismo elitista e “globalizado” pelo capital financeiro e um republicanismo plebeu, participativo e aberto aos movimentos dos “de baixo”. Este, considera urgente a redução das desigualdades sociais e regionais, mesmo que isso se choque contra as receitas dos FMI e do Banco Central Europeu: um republicanismo do Consenso de Washington e um republicanismo do anti-Consenso de Washington, é o que está em jogo.
O fato, porém, da corrupção ser “usada” pela mídia, nas suas campanhas anti-esquerda, não quer dizer que ela não exista, inclusive no nosso meio. Então, o que se trata, não é de “amaciar” os fatos, mas de disputar o seu “uso” – o tratamento político dos fatos – para fortalecer uma das duas principais concepções de República que caracterizam o grande embate político nacional na atualidade. O “aceite” deste embate político tem um terreno fértil na CPI, em instalação, e a esquerda brasileira poderá agora, se tiver uma estratégia unitária adequada, amalgamar um conjunto de forças em torno dos seus propósitos republicanos e democráticos.
A atual CPI, ao que tudo indica, vai se debruçar sobre um sofisticado sistema duplamente criminoso: ele promove diretamente, de um lado, a apropriação de recursos públicos para fruição de grupos privados criminosos (através da corrupção) e, de outra parte, promove a deformação ainda maior do sistema político (através de criação de agendas políticas), para cooptar pessoas, vincular mandatos ao crime e, também, certamente, financiar campanhas eleitorais. Se de tudo que está sendo publicado 50% for verdadeiro trata-se de um patamar de organização superior da corrupção, que já adquire um estatuto diferenciado. Nele, o crime e a política não apenas interferem-se, reciprocamente, mas já compõem um todo único, com alto grau de organicidade e sofisticação.
O pior que pode acontecer é que a condução da CPI não permita investigações profundas e que seus membros, eventualmente, cortejem mais os holofotes do que a busca da verdade, ou que ocorram acordos para “flexibilizar” resultados, por realismo eleitoral. Nesta hipótese, ficarão fortalecidos aqueles que hoje estão empenhados em desgastar a esfera da política, que significa relativizar, cada vez mais, a força das instituições do estado e o sentido republicano da nossa democracia.
Este serviço, aliás, já está sendo feito pela oposição de direita ao governo Dilma, pois já conseguiram semear a informação que o governo “está preocupado” com os resultados da CPI. A oposição demotucana faz isso com objetivos muitos claros: para que todos esqueçam as raízes partidárias profundas, já visíveis, neste escândalo de repercussão mundial, mas que também é uma boa oportunidade de virada republicana na democracia brasileira.
(*) Tarso Genro é governador do Estado do Rio Grande do Sul.http://www.viomundo.com.br/politica/tarso-genro-investigar-a-fundo-a-simbiose-entre-o-sistema-politico-o-estado-e-o-crime.html

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pessoas, pessoas, pessoas...


O mundo caminha pra uma guerra?
Mas todos já estão se matando
Em nome do seu time de futebol
Em nome de uma falsa ideia
Supremacia racial
Brancos contra negros, judeus, mestiços
Negros contra brancos, mestiços, judeus
Judeus contra Palestinos, Árabes
Palestinos contra Judeus
Guerra urbana
Guerra por religião
Facção criminosa
Guerra nas prisões

Todos estão morrendo
Extermínio sem câmara de gás
Sem deixar vestígios
Onde os culpados estão longe de tudo isto
Não saem as ruas sem proteção
Tomando champanhe pelo mundo
Nem sujam as mãos de sangue
Contam o dinheiro
Rindo de tudo

Vanderlei Prado
 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Power to the animals. E se o macaco, ou o leão, fosse o dono do circo?


Esta na hora de trocar os papéis no circo.
Lugar de bicho é no seu lugar de origem e não preso pra fazer gracinhas, servir de divertimento pras pessoas. A ideia de que o homem é um ser privilegiado no planeta serve para que milhares de animais sejam tirados de seu meio natural, vendidos e com isto muitos acabam morrendo.
Caso você acha engraçado, bonitinho o bicho ficar no centro do circo, fazendo a sua “festa” troque de lugar com o macaco, cachorro, pra ver se é “legal”





















  Entrevista da Rita Lee na Globo em 2009 https://www.youtube.com/watch?v=EXLb4SLvLEg https://www.youtube.com/watch?v=tdSWaYRexeU   https://...