terça-feira, 19 de junho de 2012

"As empresas, a corrupção e a democracia", artigo de Jorge Abrahão - Folha de S.Paulo

   
Ainda não responsabilizamos, no Brasil, pessoas jurídicas por atos de corrupção -só os funcionários envolvidos. Isso precisa ser corrigido logo
No que diz respeito à corrupção, a vida no Brasil vai de escândalo em escândalo, com breves intervalos para um cafezinho.
A partir do anúncio de uma operação, assistimos a uma sucessão de informações em doses homeopáticas. Seguem então as acrobacias dos advogados de defesa dos acusados -não para rebater o conteúdo das acusações, mas para achar brechas na legislação visando o arquivamento dos processos. É lamentável observar a que se reduziu o direito nesses casos.
Essas estratégias dissimuladoras, além de gerarem profunda indignação na maioria dos cidadãos, também causam mágoas políticas que levam ao afastamento de muitos da vida política do país, o que é uma perda inestimável.
Essa reação, entretanto, desconsidera o fato de que o desdém com a política só faz com que se perpetue esse tipo de prática.
Avançaremos mais no combate à corrupção na medida em que ela for entendida como uma corresponsabilidade dos governos, das áreas legislativa e judiciária, das empresas e da sociedade civil.
Por isso, precisamos aprofundar a participação, como se cada escândalo fosse o combustível que nos conduz à ação.
Um dos caminhos para uma mudança estrutural é atuar nas causas desses escândalos, principalmente na relação promíscua entre o público e o privado, eivada de distorções há muito construídas e que se evidenciam, sobretudo, no período eleitoral.
O desafio é incentivar ações voluntárias e regulamentações que reduzam a chance de troca de favores entre pessoas jurídicas e partidos políticos.
Temos estimulado a ação voluntária das empresas na promoção da integridade e no combate à corrupção, tendo como objetivo a transparência, a adoção de um código de ética e a qualificação de seus colaboradores para tratar o tema.
Nesse caminho, muitas empresas têm assumido compromissos, dando visibilidade a suas ações e submetendo a sua reputação ao escrutínio público.
Muito além das ações voluntárias, está a regulamentação que universaliza o padrão de atuação das empresas.
Nesse âmbito encontra-se o projeto de lei 6826, que trata da responsabilização administrativa e civil da pessoa jurídica em atos de corrupção contra a administração pública nacional ou estrangeira.
Até hoje, no Brasil, as pessoas jurídicas não são responsabilizadas por atos de corrupção -somente os funcionários envolvidos, pessoas físicas. Isso gera uma enorme distorção, que precisa ser corrigida o mais rápido possível.
Por isso, é fundamental que a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprove o projeto de lei 6826, em votação que deve ocorrer amanhã, 9 de maio.
Quanto mais desvincularmos o interesse público do interesse privado, mais estaremos valorizando a política e as empresas sérias e contribuindo para a consolidação de nossa democracia.
JORGE ABRAHÃO, 54, é presidente do Instituto Ethos, membro do Conselho do Global Compact da ONU e da Comissão Nacional Rio+20
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

terça-feira, 8 de maio de 2012

A República Velha do Brasil/ Questão social ainda é caso de policia

Flagrantes de uma política social

publicado em 23 de janeiro de 2012 às 19:11




















imagens/UOL
No alto, a Polícia Militar pratica a política social dos tucanos em São Paulo (foto Fernando Donasci); foi assim na USP, na cracolândia e, agora, em São José dos Campos, na reintegração de posse do terreno ocupado pelo bairro Pinheirinho. Não há nenhum motivo para que a política social de um governo seja entregue, ainda que por inércia ou incompetência, a policiais.
Abaixo, Claudineide da Silva, que sofre de câncer de mama, é acomodada em um colchão depois de passar a noite em uma cadeira de rodas (foto Rodrigo Paiva).
É incrível que 70 anos tenham se passado e a questão social, no Brasil, continue sendo caso de polícia:
“Questão social é caso de polícia.” Assim o ex-presidente brasileiro Washington Luís resumiu a postura que adotava contra os incipientes movimentos sociais que incomodavam seu governo, de 1926 a 1930. Passados mais de 70 anos do célebre disparate, o que vemos é que grande parte da imprensa brasileira ainda pensa tal qual o proeminente ícone da República Velha.http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/flagrantes-de-uma-politica-social.html

sábado, 5 de maio de 2012

Pessoas de 70 anos, mulheres idosas dormindo na rua?


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Passei pelo terminal de ônibus de Santo André 1 hora atrás, tem umas 3 pessoas que eu já vi dormindo por ali, isto já faz algum tempo. Tem uma passagem subterrânea que liga a CPTM, trem e o terminal, hoje quando passei tinha uma destas pessoas dormindo, uma senhora de aproximadamente 70 anos e um rapaz que parecia ser funcionário, ou da CPTM ou do terminal, chamando a mulher dizendo que ela não podia ficar ali. Vendo a cena pensei;  no momento este deve ser o único lugar que ela deve ter encontrado pra tentar sentir menos frio, se ela segue por ali é porque não tem coisa melhor , não deve ter família amigos, nada. Neste momento da sua vida pelo menos ela não deveria ter este problema de onde dormir, porque como ouvi o que dizia o rapaz, que ela não podia dormir no local; o túnel que liga a passagem das pessoas que descem do trem vindas de SP, então ela teria que ficar circulando. Falar na falência do Estado num caso deste é besteira, porque um país que fracassou em ter um plano para pessoas que por algum motivo vão chegar a este ponto, uma mulher de 70 anos ter que perambular pela cidade atrás de comida e um canto pra dormir enquanto um político ganha mais de  $20.000, pra mim o Estado nem existe, é uma grande farsa. Leva pra sua casa, alguém normalmente vai falar pra mim e eu vou dizer; não... primeiro que também estou correndo pra sobreviver em SP e segundo que independente do que esta pessoa escolheu e talvez algo deu errado na sua vida, esta é mais uma obrigação do Estado, de amparar uma pessoa sem teto. Também podem dizer que o serviço de resgate que a prefeitura deve ter, não conseguiu levar esta pessoa que não quer perder a sua “liberdade” e aí vem outra questão: Será que o lugar destinado pra estas pessoas tem vagas suficientes e ela nesta idade terá uma boa vida, com liberdade? Ou uma pessoa com mais de 60 anos, que não tem nada, também não tem o direito de viver como todas as pessoas, com o apoio do Estado? Poder dormir tranquila, comer bem, poder sair, voltar, ter amigos, visitas, não estou nem questionando os locais que as prefeituras devem ter pra resgatar estas pessoas, mas com tanto dinheiro mal distribuído, até hoje não existe um serviço que vá mais além do que dar a comida e um abrigo pra alguns dias?
Também não estou questionando o serviço do funcionário que dizia pra idosa se retirar do lugar , eu não conheço o seu trabalho, o seu chefe, eu não sei se a questão é só se livrar de um problema ou de trabalhar junto aos órgãos competentes pra melhorar tudo isto.Agora pelo menos já que tudo deu errado,estou escrevendo porque ainda existem muitas organizações que ajudam pessoas com este tipo de problema e se você ler isto e conhecer alguma ou um canal de TV que possa fazer uma matéria seria sobre o assunto, talvez você vai estar ajudando a melhorar um pouco a vida deste pessoal.
Estas 3 pessoas que vi hoje, 3 mulheres na faixa de 70 anos estavam no terminal   do centro de Santo André, na parte de onde sai o ônibus Vila Luzita, o terminal é dividido em duas zonas, e acredito que amanhã lá pelas 24 hs vão estar por lá tentando dormir de "novo".
Vanderlei Prado

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Jack White fala de seu primeiro disco solo ‘Blunderbuss’ e avisa: quer vir ao Brasil














“Blunderbuss", a melódica faixa que batiza o recém-lançado primeiro disco solo de Jack White, é o equivalente em inglês ao velho bacamarte, arma de fogo de grande calibre de uso comum no século XVI. Também é um termo coloquial para alguém desajeitado, tolo, em quem é fácil passar a perna. Na sala da suíte lúgubre do hotel New Yorker, localizado ao lado de um dos terminais ferroviários mais movimentados da cidade, a metade masculina dos White Stripes ri ao pensar nas muitas possibilidades de tradução da palavra de origem holandesa que desenterrou.
— No início, ela me veio como uma solução para representar a relação amorosa retratada especificamente naquela música — conta. — Depois vi que ela refletia a coleção de músicas novas que estava compondo. Mas ela também é uma metáfora para minha guitarra. Há tantos solos neste disco! E ela tem, aqui, esse som de britadeira quebrando muros, um tchaq-tchaq-tchaq constante que já faço há algum tempo, mas agora ainda mais intensificado, com duas guitarras, uma sobre a outra, quebrando tudo.
Quebradeira que também é resultado de sua separação da modelo e cantora Karen Elson, com quem tem dois filhos, e da decretação do fim da banda que o projetou internacionalmente, formada há 15 anos com outra ex-mulher, Meg White. Cabelos negros jogados para os lados, os olhos, igualmente negros, bem abertos, White olha para crias novas como "Missing pieces" (dos versos "Eu pensei que você havia deixado um recado para mim/ Mas era apenas a etiqueta do travesseiro") e as considera as músicas mais pungentes de sua carreira:
— Este é um disco de canções românticas, algumas mais contemplativas, outras com um som mais áspero, mas todas inevitavelmente românticas.
Ainda assim há espaço para o comentário social, presente desde o primeiro disco dos White Stripes ("The big three killed my baby"). O vídeo de "Sixteen saltines", a segunda faixa de "Blunderbuss", apresenta imagens de uma América decadente e, com a exceção do próprio White, perseguido com requintes de crueldade, povoada exclusivamente por crianças. A infantilização erótica e imbecilizante da nação é escancarada em cenas inspiradas no trabalho de Larry Clark e Harmony Korine, responsáveis pelo niilismo adolescente do filme "Kids".
— Minha vontade era falar do que acontece nas esquinas da América. Na cabeça dos americanos, especialmente antes do 11 de Setembro, éramos intocáveis, o sonho não viraria pesadelo jamais. Tolice. É tempo de relembrá-los de que a qualquer momento tudo pode ruir. Tudo aqui é muito frágil — diz. 
‘Semente’ veio com Wanda Jackson
O vídeo foi filmado em Nashville, a Meca do country e endereço de Jack White há seis anos. Lá ele criou a Third Man Records, quartel-general de suas experiências musicais, já comparada a um mix da Factory de Andy Warhol com a batcaverna. Localizada em uma porção industrial da cidade do Tennesse, de seu forno já saíram 45 discos, entre LPs e singles, todos prensados em vinil. Enquanto White conversava com O GLOBO, seus assistentes dirigiam o caminhão-loja da gravadora pelas ruas do East Village, facilmente localizável pela cor amarelo-cheguei e o mote "sua vitrola não morreu".
— Ouvir um disco em vinil é como ir ao cinema. É ver movimento. É a fogueira da música. Para se ter romance, você precisa de mecânica, de movimento. Eu posso compor agora sobre uma velha colheitadeira, mas jamais conseguiria fazer uma música sobre um iPod ou um Xbox — filosofa.
"Blunderbuss" nasceu da produção de "The party ain’t over", o retorno da rainha do rock americano, Wanda Jackson, às suas raízes depois de décadas dedicadas ao gospel. A última vez em que Jack White se apresentou em Nova York, foi ao lado de uma banda de dez músicos, como produtor e guitarrista da diva de 74 anos.
— Foi a primeira vez que comandei uma banda daquele tamanho. Não eram quatro caras como no Raconteurs. Não éramos eu e a Meg. Foi algo completamente diferente. Foi dali que surgiu a semente de "Blunderbuss" e veja o que aconteceu: virei um band leader de duas bandas diferentes, fiquei caro pra dedéu!" — lembra, antes de soltar uma quase gargalhada.
As duas bandas a que White se refere são as formações exclusivamente masculina e feminina com que vem se apresentando na pré-turnê de "Blunderbuss", uma reunião de cobras de ambos os gêneros da rica cena de Nashville.
— Um palco só de marmanjos e outro quase que exclusivo de mulheres mexe com a cabeça de quem vê o show. É uma pegadinha? É uma brincadeira? Ou é uma maneira profunda de se tratar dos dois lados da Humanidade de forma igualitária? Queria ao mesmo tempo provocar o público e criar um novo arcabouço de possibilidades. Não queria estagnação na turnê. Cara, a coisa mais fácil do mundo pra mim hoje é tocar toda noite com músicos as mesmas faixas do mesmo jeito. Mas isso é muito fácil e me assusta pacas. Preciso do desconhecido, sempre", diz.
Velhos favoritos, como "Seven Nation Armies" e "Ball and biscuit" entram no setlist , e os fãs brasileiros, diz White, estão na mira de uma turnê internacional.
— Conto os dias para voltar ao Brasil. O show em Manaus foi sensacional. Eu me casei de manhã e toquei de noite, em plena Amazônia. Isso não acontece sempre na vida de uma pessoa, né? O problema é que, com duas bandas, fica caro pra burro. Será que o governo não daria um desconto pra gente já que são duas bandas? Sei lá, um abatimento fiscal qualquer... Será que O GLOBO não poderia começar esta campanha para a gente poder tocar no Rio? — pergunta, a cara mais séria do lado de lá do Mississippi.
Sem chance de ‘revival’
White, que negou rumores de ter fechado com a Disney o comando da trilha sonora do filme "O Cavaleiro Solitário" ("eles se precipitaram, ainda não há nada certo", diz), também jogou uma pá de cal na possibilidade de retorno dos White Stripes, por mais romântica que a ideia pareça aos fãs da banda-símbolo do revival do garage rock dos anos 1990.
— Não vai acontecer. Aquele foi um tempo maravilhoso, foi o projeto mais intenso do qual já fiz parte. Era tão difícil, e ao mesmo tempo, um desafio delicioso, fazer com que o público prestasse atenção naquelas duas pessoas sozinhas no palco. Mas aquilo eu já fiz. Não há a menor chance de os White Stripes voltarem. Mas vou dizer a você que é extremamente romântico pensar que tivemos nosso tempo e que ele foi bom pacas.


O Globo
 http://www.paraiba.com.br/2012/04/30/83834-jack-white-fala-de-seu-primeiro-disco-solo-blunderbuss--e-avisa-quer-vir-ao-brasil

Jack White - Blunderbuss (full album) pt 1

 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Tarso Genro: Investigar a simbiose entre sistema político, Estado e crime

A instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira abre uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar interessses econômicos e políticos. O artigo é de Tarso Genro.
por Tarso Genro, em Carta Maior
Ao contrário do que torcem — e em parte patrocinam significativos setores da mídia — não está se abrindo uma crise com a instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira. Abre-se, sim, uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose (às vezes espontânea e no mais das vezes deliberada), entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas, como já está provado, não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar, ou interesses de grupos econômicos -criminosos ou não- ou interesses dos diferentes partidos aos quais estes órgão são simpáticos.
Para que esta oportunidade seja aproveitada é necessário, porém, que a CPI tenha a predominância de parlamentares que não tenham medo. Não tenham medo de que o seu passado seja revelado – um passado complicado fragilizaria o resultado da CPI -, não tenham medo de ser achincalhados pela imprensa, pois à medida que contrariarem os interesses que ela defende serão ridicularizados por algum motivo ou atacados na sua honradez. Não tenham medo, sobretudo, de encontrar algum resíduo de envolvimento seu, na teia de interesses, manipulada pelo grupo ora apontado como criminoso.
Uma parte da esquerda, na defensiva em função do cerco a que foi submetida principalmente no primeiro governo do Presidente Lula, convenceu-se que as denúncias feitas pela imprensa não passavam de montagens para nos desgastar. Ora, é razoável supor que muitas denúncias são forjadas (em função de brigas entre empreiteiras, por exemplo, ou para desmoralizar lideranças que são importantes para os governos), mas tomar as denúncias como produto de uma conspiração é errado. É deixar de lado que o estado brasileiro, historicamente cartorial, bacharelesco, barroco nos seus procedimentos e forjado sob o patrocínio do nosso liberalismo pouco republicano, tem um sistema político-eleitoral e partidário, totalmente estimulante aos desvios de conduta e às condutas que propiciam a corrupção.
O uso que a mídia faz dos eventos de corrupção, para tentar destruir o PT e a esquerda é, na verdade, um elemento da luta política por projetos diferentes de estado e de democracia. São diferentes concepções de republicanismo que estão em jogo, entre um republicanismo elitista e “globalizado” pelo capital financeiro e um republicanismo plebeu, participativo e aberto aos movimentos dos “de baixo”. Este, considera urgente a redução das desigualdades sociais e regionais, mesmo que isso se choque contra as receitas dos FMI e do Banco Central Europeu: um republicanismo do Consenso de Washington e um republicanismo do anti-Consenso de Washington, é o que está em jogo.
O fato, porém, da corrupção ser “usada” pela mídia, nas suas campanhas anti-esquerda, não quer dizer que ela não exista, inclusive no nosso meio. Então, o que se trata, não é de “amaciar” os fatos, mas de disputar o seu “uso” – o tratamento político dos fatos – para fortalecer uma das duas principais concepções de República que caracterizam o grande embate político nacional na atualidade. O “aceite” deste embate político tem um terreno fértil na CPI, em instalação, e a esquerda brasileira poderá agora, se tiver uma estratégia unitária adequada, amalgamar um conjunto de forças em torno dos seus propósitos republicanos e democráticos.
A atual CPI, ao que tudo indica, vai se debruçar sobre um sofisticado sistema duplamente criminoso: ele promove diretamente, de um lado, a apropriação de recursos públicos para fruição de grupos privados criminosos (através da corrupção) e, de outra parte, promove a deformação ainda maior do sistema político (através de criação de agendas políticas), para cooptar pessoas, vincular mandatos ao crime e, também, certamente, financiar campanhas eleitorais. Se de tudo que está sendo publicado 50% for verdadeiro trata-se de um patamar de organização superior da corrupção, que já adquire um estatuto diferenciado. Nele, o crime e a política não apenas interferem-se, reciprocamente, mas já compõem um todo único, com alto grau de organicidade e sofisticação.
O pior que pode acontecer é que a condução da CPI não permita investigações profundas e que seus membros, eventualmente, cortejem mais os holofotes do que a busca da verdade, ou que ocorram acordos para “flexibilizar” resultados, por realismo eleitoral. Nesta hipótese, ficarão fortalecidos aqueles que hoje estão empenhados em desgastar a esfera da política, que significa relativizar, cada vez mais, a força das instituições do estado e o sentido republicano da nossa democracia.
Este serviço, aliás, já está sendo feito pela oposição de direita ao governo Dilma, pois já conseguiram semear a informação que o governo “está preocupado” com os resultados da CPI. A oposição demotucana faz isso com objetivos muitos claros: para que todos esqueçam as raízes partidárias profundas, já visíveis, neste escândalo de repercussão mundial, mas que também é uma boa oportunidade de virada republicana na democracia brasileira.
(*) Tarso Genro é governador do Estado do Rio Grande do Sul.http://www.viomundo.com.br/politica/tarso-genro-investigar-a-fundo-a-simbiose-entre-o-sistema-politico-o-estado-e-o-crime.html

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pessoas, pessoas, pessoas...


O mundo caminha pra uma guerra?
Mas todos já estão se matando
Em nome do seu time de futebol
Em nome de uma falsa ideia
Supremacia racial
Brancos contra negros, judeus, mestiços
Negros contra brancos, mestiços, judeus
Judeus contra Palestinos, Árabes
Palestinos contra Judeus
Guerra urbana
Guerra por religião
Facção criminosa
Guerra nas prisões

Todos estão morrendo
Extermínio sem câmara de gás
Sem deixar vestígios
Onde os culpados estão longe de tudo isto
Não saem as ruas sem proteção
Tomando champanhe pelo mundo
Nem sujam as mãos de sangue
Contam o dinheiro
Rindo de tudo

Vanderlei Prado
 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Power to the animals. E se o macaco, ou o leão, fosse o dono do circo?


Esta na hora de trocar os papéis no circo.
Lugar de bicho é no seu lugar de origem e não preso pra fazer gracinhas, servir de divertimento pras pessoas. A ideia de que o homem é um ser privilegiado no planeta serve para que milhares de animais sejam tirados de seu meio natural, vendidos e com isto muitos acabam morrendo.
Caso você acha engraçado, bonitinho o bicho ficar no centro do circo, fazendo a sua “festa” troque de lugar com o macaco, cachorro, pra ver se é “legal”





















quinta-feira, 29 de março de 2012

Em São Paulo, arte de rua e artesanato é tratado como caso de policia pela prefeitura

Segue a repressão a Feirinha de Artesanato da Teodoro, entre a rua Lisboa e a João Moura, não é a feira de antiguidades da Praça Benedito Calixto que fica ao lado.
Estou colocando esta matéria novamente porque depois disto a situação só piorou e não houve reunião nenhuma, fomos tratados como palhaços mais uma vês.
Colocaremos no futuro uma lista com alguns políticos e o que eles fizeram para o artesanato de rua de SP.

Novamente a repressão a Feirinha da Teodoro aos sábados
 O tratamento que o poder publico da para os artesãos em São Paulo, o descaso total, a falta de respeito, não parece coisa seria, como disse uma vez um artesão: é surreal, o maior absurdo.
Estamos repetindo a mesma "reza" já há vários anos, explicando, colaborando, trabalhando de graça, dando ideias, conversando com a maioria dos vereadores, pessoas do executivo e a resposta que sempre temos é a REPRESSÃO. Nas inúmeras reuniões que já participamos na Câmara Municipal de SP, onde toda a história já foi contada e recontada, sempre saímos com alguma expectativa de melhora, mas passa mais 1, 2 anos e nada. O que é mais irônico, que foi instituído na Câmara o dia do Artesão, mas o artesão continua mendigando por espaços na cidade, não pode trabalhar, tem que correr da policia mandada pela prefeitura.No máximo que pode fazer para sobreviver é sempre ficar pelas"beiradas" com um pequeno painel e escapando da policia por vários cantos da cidade para conseguir atingir uma meta mínima, porque todos pagam contas que vencem e conta não espera autorização do poder publico para adicionar as multas ou corte dos serviços, tem que comer, muitos tem filhos, escola, cadernos, medico, remédios." A outra solução que tem para o artesão e se conseguir, é ir para alguma feira que não vende quase nada ou alugar um ponto no entorno dos vários estacionamentos e galpões que alugam boxes para o artesão vender o seu produto; valor desses boxes:entre $400,00 e $ 1.200,00 por mês, se você vender somente $1.000,00, não interessa, ainda vai ter que pagar pra trabalhar. No litoral no verão, a situação é a mesma; artesão fugindo da policia com o seu painelzinho pelas "beiradas" e dentro das melhores feiras, pouco artesanato de verdade e muita "muamba" produtos do Paraguai, China e artesanato fabricado em serie que é vendido na rua 25 de Março. Outro detalhe muito importante é que enquanto o artesão que participa de praticamente todas as fazes no processo do seu trabalho estar do lado de fora de praticamente todas as feiras do país, dentro, muitas pessoas tem aposentadoria, outro emprego e na verdade eu nem sou contra uma pessoa que não esta ligada a arte ou que já tenha outra fonte de renda estar participando de uma feira, mas o poder publico, que existe e ganha dinheiro do estado para gerenciar todas estas questões, deveria não terminar com estas feiras, mas sim criar outras realmente para quem só vive de arte e artesanato( turista iria gostar muito disto) em espaços que sempre vão existir em qualquer cidade. Eu já vi isto em algumas localidades, fica bom e todo mundo trabalha".
Estamos esperando uma reunião com o executivo para resolver a questão, mas eles não comparecem, não marcam nada e depois novamente mandam a sua tropa para reprimir pessoas que precisam trabalhar e só tem o artesanato como meio de sobrevivencia. Já questionamos a constitucionalidade do uso da Policia Militar  para reprimir o artesão irregular, mas também nunca temos uma resposta.
Do artesanato vivem milhares de pessoas por todo o Brasil, gerando renda , turismo, lazer e uma cidade com mais de 10.000.000 de pessoas como São Paulo, não tem nem uma secretaria para pensar este segmento com a seriedade que merece, então segue a mesma politica do descaso e por outro lado a manipulação destas feiras por alguns grupos. Com tudo isto fica difícil fazer uma nova feira acontecer na cidade, porque os "proprietarios" das melhores feiras tem medo de concorrencia. E tem outra , uma nova feira, que realmente" pega", vira ponto de referencia, como a Feirinha da Teodoro, não acontece em qualquer lugar e a todo o tempo, surge devido a vários fatores; culturais, localização, hábitos, pelas pessoas que circulam e fazem o evento, não é uma coisa fácil de acontecer, agora se a prefeitura nunca colaborou na criação da feirinha da Teodoro , que surgiu graças a atitude dos seus personagens, porque que ela se acha no direito de simplesmente acabar com tudo, mandar a tropa da Policia Militar para humilhar, reprimir, proibir quem esta inclusive colaborando com o país. Sábado na Teodoro devia ter mais de 20 policiais para nos impedir de trabalhar, sendo que por toda a cidade falta policia preventiva e segurança para a população.
Nós artesãos de rua da Teodoro Sampaio vamos continuar lutando pela regulamentação da feirinha da Teodoro aos sábados, vamos pedir apoio a algum órgão de direitos humanos no Brasil e grupos internacionais, nós vamos contar a verdadeira história da "DEMOCRACIA A LA PAULISTANA" DA "PORRADARIA PRA CIMA DOS ARTISTAS E ARTESÃOS DE RUA DE SP"
Temos mais de 6.000 assinaturas das pessoas que apoiam a feirinha e assinaturas de apoio da maioria das lojas onde trabalhamos.
Quem quiser colaborar é só entrar em contato com a gente na feira aos sábados ou pelo blog. Temos também um abaixo assinado na Internet, é só entrar no link

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=P2010N4134 e assinar, onde estiver escrito arte na rua é só repetir arte na rua.

Artesãos proibidos de exercerem o seu trabalho, guardam as mercadorias e quem ocupa a calçada é a tropa da Policia Militar














Proibido Trabalhar












Proibido Trabalhar















Proibido Trabalhar


















Proibido Trabalhar














Proibido Trabalhar














Proibido Trabalhar














Proibido Trabalhar



































Proibido Trabalhar













Proibido Trabalhar

A sorte dos dirigentes do Brasil é que o povo é tranquilo, apesar da desgraça, ainda leva na brincadeira






Proibido Trabalhar
















Este é um amigo nosso















Proibido Trabalhar
















Proibido Trabalhar








O pessoal fazendo um som
na loja , o que faz a rua ficar ainda melhor





























































Fotos/Rogério/montagem/gimp/Vanderlei











Um pouquinho de dinheiro para o blog de Maria Bethânia. Esta noticia já é passada mas como só agora fui dar uma lida direito no assunto e no caso a minha raiva é de hoje, resolvi colocar um link pra ela;

A cantora Maria Bethânia está provocando polêmica entre os internautas, nesta quarta-feira.
Ela entrou para os Trendings Topics Brasil do Twitter e já aparece até nos Trending Topics Mundial depois de ter recebido R$ 1,3 milhão do Ministério da Cultura para criar um blog chamado " O mundo precisa de poesia". A proposta do página é que a cantora publique diariamente um vídeo declamando poemas, numa série de 365 clipes dirigidos por Andrucha Waddington.
Estão chovendo críticas à Maria Bethânia e ao MinC no twitter:
“R$ 1,3 milhão do Ministério da Cultura pra um Blog da Maria Bethânia?? ME POUPE!!!!!!! Um desperdício do dinheiro público!!" reclamou o internauta @DuxFractusV
 http://extra.globo.com/tv-e-lazer/blog-de-maria-bethania-cria-polemica-no-twitter-1324456.html


Eu também quero

Eu também quero fazer poesia
Eu também quero $ 1.300.000,00 pra fazer meu blog
Eu quero
Eu quero muchuuuuuu...
Todo brasileiro também ia querer
Aquelas crianças descalças
Indo pra escola
Aquele pessoal das encostas
Podiam até comprar uma casa
Aquele cara na fila da sopa
Daria pra ter um rango todo dia
Eu quero
Nois qué
Eles qué
Tudus nóisyzes qué
Muchuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu....

Vanderelei Prado                    
Bad Religion/Punk Rock Song
 

2 comentários:

  1. Tremenda falta de ter o que fazer,lugar da policia é ajudando a população, dando segurança e não combatendo quem trabalha.

    Antonio
    Responder
  2. Policia para quem pecisa...
    Responder

sexta-feira, 16 de março de 2012

Estudo:moscas rejeitadas buscam mais o álcool

Experiência mostrou que insetos que não conseguiram sexo optaram mais que os outros por bebidas alcoólicas
Moscas rejeitadas preferem álcool, diz estudo / Julian Stratenschulte/AFP Moscas rejeitadas preferem álcool, diz estudo Julian Stratenschulte/AFP
Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos EUA, revelou que o consumo de álcool pode ser uma saída usada pelas moscas para a rejeição “amorosa” de parceiras. A pesquisa foi divulgada pela Science nesta quinta-feira.

Uma experiência da instituição separou moscas macho em dois grupos. Um deles foi colocado ao lado de fêmeas virgens, que permitem a cópula, e outro ficou com as fêmeas mais arredias.

Depois disso, os pesquisadores deixaram que os insetos optassem entre alimentos com ou sem álcool e descobriram que as moscas que haviam sido rejeitadas escolhiam a bebida alcoólica muito mais do que as que conseguiram copular.

De acordo com o estudo, o sexo eleva o nível de uma substância chamada “neuropeptídeo F”. Essa substância liga-se ao sistema de recompensa do cérebro. Caso contrário, é muito maior a chance de que o inseto opte pelo consumo alcoólico.

terça-feira, 13 de março de 2012

ECAD. SE DEU MAL

Sem duvida nenhuma, esta mais do que provado que este segue sendo o país dos espertos e o ECAD. queria cobrar dos blogs uma taxa ilegal e como foi barrado pelo Google que apoiá o compartilhamento dos vídeos postados nos blogs, E JÁ PAGA POR ISTO, diz na maior "cara de pau" que cobrança foi erro. É muito palhaço pra pouco circo neste país e se a conversa for caminhar para direitos autorais, custos, quem vai pagar a conta das milhares de pessoas espalhadas pelo mundo escrevendo de graça, divulgando musicas etc.

FORA ECAD.
http://desconcertos.wordpress.com/2012/03/11/ecad-piada-cara-e-de-mau-gosto/

  Entrevista da Rita Lee na Globo em 2009 https://www.youtube.com/watch?v=EXLb4SLvLEg https://www.youtube.com/watch?v=tdSWaYRexeU   https://...